6.29.2009

MAIS QUE VIVER.



O sol levanta-se aos poucos

seus belos dedos surgem.

Uma sombra cintilante

torna a pintura perfeita.


As palavras são entoadas

e belamente pronunciadas,

seus lábios as engrandecem

e detalhes são percebidos,

a luz que se aproxima

dos olhos enche o coração.


Te observarei sem parar

por dias e noites consecutivas

e faria a lista mais detalhada

de sua perfeição escondida.


Os cabelos que os olhos ressaltam;

O olhar que os lábios entoam;

O sorriso que seduz;

As mãos rusticamente delicadas;

A alma grande no corpo pequeno;

Assim tu és, e por assim ser,

as luzes não se apagam.




30/05/03 23:22h


Esse é um texto que escrevi, anos atrás para um grande amigo que hoje não está mais entre nós. Esse é um dos maiores exemplo de "uma carta que eu não mandei", ele nunca leu essas linhas. A foto é de um presente que ele me deu, sem dizer muitas palavras mas de uma sensibilidade incrível. À você, Marcos Vitor, minha homenagem e minhas saudades. À você que acompanha este blog, obrigado e abraços sinceros!

Hugo Zanardi

6.25.2009

SÁBADO À NOITE - Episódio 17 - Especial de aniversário: Hugo.

Mais um aniversário chegou e junto com ele chegou também mais um "Sábado à noite", depois da Aline, é a vez de Hugo.

A festinha seria na sua casa e estavam presentes, Aline, Tico, Will, Doug, Manu, Val e dois amigos de Will, Paulo e Pinto.

Voltando um pouco no tempo, Hugo havia comemorado seu aniversário na quinta feira na boate A Lôca, as pessoas que estavam, ele, Will, Doug, Denise, Célia, Aline, Eder, Michael, se divertiram muito, dançaram, beberam e foram direto pra faculdade.

No sábado tinham bolo da Fran, o bolo mais delicioso do planeta, salgadinhos, Pepsi Twist e umas 'bebidinhas'. Conversaram muito, contaram dos 'causos' da quinta. O irmão da Célia que apareceu na boate gls, do jovenzinho que deu em cima da Denise, uma mãe de família, e das outras pessoas loucas que se encontra regularmente naquela boate.

Cantaram, riram e, claro, tiraram sarro da Aline:


O quê? Quem chamou o Neimar?...

HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA


Nossa Aline, só você mesmo!

Messias, o ex de Hugo, apareceu na festinha, mas logo foi embora. Pinto e Paulo ficaram impressionados como essas pessoas falavam alto e riam, viam-se quase que diariamente e sempre tinham um assunto novo.

Dançaram Marisa Monte, Flamenco e cantaram músicas de desenho animado. O vizinho veio pedir pra que diminuíssem o barulho (mais uma vez).

Foram se ajeitar para dormirem. Tico e Aline dormiram juntos na sala, mas antes ouviram toda sorte de comentários sobre a possibilidade de fazerem sexo ali. Pinto ficou no sofá de alvenaria sozinho, e foi comentado sobre ele atrapalhar a possibilidade do casal fazer sexo com sua presença. Os demais deitaram no guerreiro colchão de casal, que nesses eventos parecia ter 5m x 5m.

No dia seguinte tomaram um café da manhã com baguetes recheadas e muito café. Nessa madrugada ninguém ouviu o galo. Talvez ele tenha desistido após a cantoria dos amigos.



Dorian

6.24.2009

Encontro inesperado


Carlos estava tendo uma quinta feira muito intensa, muitas provas na faculdade e pra ajudar o motoboy da empresa se envolveu num acidente logo cedo, sendo o mais jovem do escritório acabava sendo escalado para fazer os trabalhos na rua, banco e afins. Aproveitava para estudar o máximo que podia, fosse na fila do banco, no ônibus ou no mêtro, em pé, sentado não importava. Parecia ter o dom de ler andando, andando e lendo, é preciso muita aptidão para trabalhar, estudar e não enlouquecer.

Porque não escolheu gastronomia, ou enfermagem como sugeriram os pais. Contabilidade! Onde estava com a cabeça quando assinalou essa opção? Tantas contas, números, sobe, desce, sobra um, noves fora... Mas era o melhor de sua classe, só o Thiago e a Amanda tiravam notas melhores que as suas, porém eles não trabalhavam, era obrigação passarem o dia todo estudando e serem ótimos alunos.

Estação Sé. Transferência da linha vermelha para linha azul, 14 horas, movimento regular. Lia um estudo sobre estatística, cabeça baixa mas atento ao redor. Algumas pastas na mão, a apostila de estudos e mais dois livros. Uma dor no ombro esquerdo, perdeu o equilíbrio, os papéis todos foram ao chão:

Puta que pariu! Porra meu você não olha pra onde anda não cara??

Ai, ai, me desculpa, perdão mesmo, eu... foi sem querer, foi mal aí...

Alguns livros e papéis se misturaram aos seus, um outro rapaz abaixava-se par pegar os papéis, o óculos escuro foi ao chão, estava meio atordoado, pegava até coisas que pertenciam a Carlos, pôs a mão sobre um livro. Carlos pegou no mesmo instante. Suas mãos se tocaram e o rapaz olhou para Carlos. Nunca havia visto olhos tão bonitos em toda sua vida, pensava que só os modelos tinham olhos tão perfeitos. Foi um olhar meio de lado apenas para confirmar que aquele livro não o pertencia. Carlos sorriu. Sentiu que o rapaz corava.

Puxa cara desculpa mesmo mesmo, estou super atrasado pra uma reunião, perdão... é... desculpa... tipo... falou aí... até mais... tchau...

O rapaz desceu as escadas correndo, como se fosse perder o último avião, no fim da escada ele olhou para trás e por mais que Carlos não quisesse acreditar havia olhado para ele. Aqueles olhos profundos encontraram com o seu. O rapaz virou, pos o óculos e entrou no vagão do mêtro, seguiu sentido Jabaquara. Carlos entrou no mêtro seguinte. Sentou-se e começou a arrumar seus papéis, ver se estava tudo em ordem. Sim, tudo ok, a não ser pelo fato daquilo. O que seria exatamente?

Uma encadernação preta com um sintético a exemplo de couro. Uma agenda. O rapaz dos olhos claros. Deve ter esquecido de pegar, ou se confundiram... ou.. ele disse 'até mais'... será que? Não pode ser. Muitos pensamentos passavam pela cabeça da Carlos, que agora parecia ter esquecido dos estudos, pensava apenas naqueles lindos olhos.

Carlos é homossexual sim, não tem trejeitos, e teve poucas relações com outros homens. Sentiu algo de estranho por aquele rapaz. O modo como o olhou, o fato de ter olhado pra trás, o leve sorriso que tinha no rosto apesar do embaraço causado pelos palavrões expelidos por Carlos após a trombada. Precisava saber a importância daquela agenda. Se deveria devolve-la, certamente haveria um número anotado. Abriu na página em que estava o marcador.

"14h30 - reunião St. Cruz
16h - piano
18h - pegar Augusto na escola
ligo ou não ligo"

A letra não era muito bonita, e as coisas vagavam pela página como se nela não houvessem linhas. Percebeu um vão entre páginas e verificou o que havia. Uma foto. Um rapaz, óculos escuros, regata branca, foto à noite. Não era o rapaz que encontrara, parecia mais forte e mais velho. nenhuma anotação na foto, nem na página. Poderia ser qualquer pessoa, o irmão, um primo, o melhor amigo, o vizinho ou até mesmo... o namorado! Loucura. O cara não tinha a menor pinta de gay... ou tinha?

Folheou mais umas duas ou três páginas e viu diversos compromissos anotados, reuniões, aulas, horários. Parecia ser algo vital. Fechou. Pensou por um instante. Abriu na página principal, um telefone celular e um residencial, sem endereço apenas o nome:

Bruno.



Hugo Zanardi

6.22.2009

SAUDADE



Às vezes me pego pensando em coisas que não sei dizer,

meus pés saem do chão e me vejo sentir, o vento no rosto e os cabelos voando,

o centro do mundo sou eu e minha vida não faz sentido.


Quero fumar mas meu médico não permite, nem trepar eu posso,

só mesmo me debruçar na janela e ver a vida passar. Não consigo cuidar do meu filho ele não me ouve mais.


Falar porquê, pra quê, a quem? Já não há sentido em expressar toda a falta e a angústia que soma-se a fome incontrolável e ao desejo frenético de espairar a mente e fechar-se no sonho absurdo de quem está acordado e, que, simplesmente não consegue dormir pois tem insônia.



08/03/03


Outro texto do início da minha "carreira de escritor" (hahahahaha). Tenho alguns aqui guardados, que não irei postar, pois eu mesmo os leio e penso 'OMG, o que eu quero dizer com isso' ou 'Nossa, eu mesmo escrevi isso? Coragem!'

O texto acima não é um dos meus preferidos, mas, existe um processo de evolução não é!? Beijos a todos.


Hugo Zanardi

6.19.2009

Montreal Report.


Devido ao tumulto que a gripe H1N1 estava causando, estávamos proibidos de viajar nas nossas ferias em junho, não por medo da doença mas por medo de por um lapso de desespero o Japão fechar os aeroportos. No ultimo instante fomos liberados, afinal a doença já havia chegado aqui e todos perceberam que o babado não era tão forte. Sendo assim, no ultimo instante, resolvi ir a Montreal - não me perguntem o porque... nem eu sei ainda. Corri pra tirar meu visto de turista e comprei a passagem no dia 06 de junho, 3 dias antes das ferias começarem e como não estava muito certo da minha escolha resolvi ir pra Nova Iorque primeiro e de lá pegaria um busão para Montreal. Vamos por partes para eu não me perder.

- Dia 10 de junho: Embarquei em Toquio rumo a Nova Iorque.

- Dia 10 de junho: Chego em Nova Iorque totalmente desorientado, não tinha ideia do que fazer, sendo assim, coloquei minha mala no guarda volume e peguei um busão rumo a Manhatan. Cheguei lá e ainda estava perdido, me joguei no metro e fui andando até chegar na Times Square. LUXOOOO... andei horrores pela Broadway mas não consegui ver nenhum show devido ao horário apertado. Voltei ao aeroporto para pegar minha mala e fui para o terminal rodoviário Port Authority Bus, chegando ao guichê fui atendido por uma maricona latina que deu em cime de mim mas na verdade foi ótimo, me vendeu a passagem a preço de estudante kkkkkkkkkkkkkkkk. Peguei o busão e fui.

- Dia 11 de junho: Chego a Montreal pela manhã e como Gilberto e Renato, um casal de amigos que mora lá estavam com visitas, peguei 2 noites num HOSTEL - um albergue para estudantes, desses onde tem quartos com 10 camas -  do lado do terminal. Foi bem bacana, pela minha sorte estava sozinho no quarto. Fui dar uma volta pela rua Mont Royal - durante dos finais de semana os lojistas fecham as ruas e fazem uma feira com muitos artigos em promoção - o dia tava quente, andei bastante e comprei 2 pares d All Star, estavam em promoção. Voltei pro hotel e durmi.

- Dia 12 de junho: Dia de festa no circo mas antes fui andar, andei pela Saint Catherine - uma espécie de Oscar Freire em São Paulo - fui a um museu de artes naturais e voltei pro hotel pra me arrumar. Cheguei a festa e já fui logo encontrando um povo, pessoas que trabalharam na criação do meu show e outras pessoas, bebi 2 coco-colas e voei, tinha marcado de ir pra uma balada com um velho conhecido. Sai de lá e fui pro Village - bairro gay de Montreal - encontrei o Stephane e mais uma amigo chines, não lembro o nome do amigo, fizemos um tour por algumas baladas mas o amigo estava uó, reclamava de tudo, num dado momento eu perguntei: O que você quer cacete? Dançar ou trepar? resolve... estamos andando a noite toda e você não decide onde quer ficar... se quiser trepar fala logo que a gente te joga na sauna. Ele fez a fria e disse que queria dançar, então ficamos numa balada onde tinha pessoas jovens - em Montreal é assim, tudo separado, baladas distintas para pessoas distintas - confesso que me senti meio velho, o povo de lá era BEMMMM jovem. Deu 3hrs da manhã e fomos embora, sim as 3hrs tudo pára, tudo fecha, todo mundo vai pra casa.

- Dia 13 de junho: Acordei com o telefone tocando, era a recepcionista pedindo que eu abrisse a porta do quarto porque um hóspede precisava entrar. Abri a porta e 15 min depois já estava saindo correndo, depois de olhar para a cara do indivíduo eu levantei, tomei banho, fiz uma ligação, arrumei a mala e sai voado. Cheguei na casa do Gilberto e do Renato, fui muito bem recebido. Deixei minhas coisas lá e fui para o La Tohu ver 2 espetáculos de circo com a École Nationale de Cirque - Rosso di Sera e Scène de Crime - 
muito bons. Me encontrei com o Gilberto e o Renato mais um casal de amigos deles no parque La Ronde, fervemos nos brinquedos e a noite assistimos a abertura do Le Festival de Feux - Festival de fogos de artifício - LINDOOOOO. Depois disso fui me encontrar com o Stephane e o amigo chines no Village. Vimos um show de drags muito bom, pena que não entendo francês se não teria sido muito melhor. Deu 3hrs da manhã e fomos embora.

- Dia 14 de junho: Às 15hrs me encontrei com o Stephane na estação Mont Royal de metro e fomos ao Parque Mont Royal, o dia estava ENSOLARADOOOO, QUENTEEEEE e as ruas cheias de gente. O parque é muito legal, tem várias coisas pra se ver, uns hippies vendendo uns artesanatos, uns grupos de gringos tocando tambos, uns nerds brincando de lutinha medieval, uns artistas fazendo tecido, malabares, corda... muita gente fazendo muita coisa diferente. Sentamos no gramado pra assistir o ensaio de um grupo de batuque tipo olodum, quando menos espero viro pra falar com o Stephane e ele estava dormindo... fiz um cof cof pra ele acordar e fomos andar de bicicleta - esse ano em Montreal a prefeitura instalou em vários pontas da cidade mini-estações de bicicleta, você pode usá-las de gratis - andamos muito, muito... pedalamos por diversos pontos turísticos da cidade. Terminamos a pedalada no Village, tomamos um café e depois fomos comer um Poutine - prato típico de Montreal. Fomos embora por volta das 22:30hrs.

- Dia 15 de junho: Fui ao circo buscar meu par de pernas de pau - esse ano o circo comemora 25 anos e como parte das comemorações, fizeram um evento pra quebrar um recorde mundial no Guinness Book, o maior número de pessoas andando com pernas de pau ao mesmo tempo. De lá fui à estação Sherbrooke comprar uns pares de tênis, tem uma loja com MTOS modelos diferentes mas eu só comprei 3. Voltei pra casa do Gilberto e do Renato pra guardar as coisas e fui me encontrar com o Stephane pra jantarmos. Depois disso recebi um e-mail do Michael pedindo que ligasse pra ele, liguei e conversamos horrores... eu andando, fumando, tomando um café, conversando com o Stephane e rindo com o Michael no tel... chegamos na casa dele e desliguei o tel, acabei durmindo lá.

- Dia 16 de junho: Acordei cedo porque o Stephane sai de casa cedo pra ir trabahar, fui pra casa do Gilberto e do renato, peguei meu par de pernas de pau e fui pro circo. O evento foi bem legal mas meio longo, demorou muito pra começar. De lá fui para Old Montreal, no velho porto pra ser mais exato, é lá que está armada a tenda com o  novo show OVO, comprei os ingressos e liguei pro Stephane, nos encontramos na estação e fomos assistir ao show, muito bom por sinal, confesso que estava bastante desanimado em relação ao show devido ao trabalho de dança comtemporânea desenvolvido pela diretora do show Débora Colker. Fui pra casa do Gilberto e do Renato buscar minhas coisas e me despedir, de lá fui pra casa do Stephane, durmi lá.

- Dia 17 de junho: Ele saiu pra trabalhar e eu dormi até as 12hrs, fiquei um bom tempo no MSN com meus amigos e fui me encontrar com o Stephane na saída do trabalho dele, demos uma volta num evento de moda que estava rolando por lá e fomos ao Musée des Beaux-Arts de Montreal, vimos uma exposição IMAGINE de Yoko Ono e John Lennon, mto bacana! Demos uma volta pela Saint Catherine novamente pra eu comprar umas coisas que o povo me pediu e fomos pra casa dele, jantamos e fomos pro terminal. Nos despedimos e peguei o busão de volta pra Nova Iorque.

- Dia 18 de junho: Chego em Nova Iorque pela manhã, chovia horrores. Fui pro aeroporto e peguei o avião de volta pro Japão. 

- Dia 19 de junho: Cheguei em Toquio e já liguei pro Luis, fui pra casa desfazer a mala e me encontrei com ele pra contar da viajem.

Na verdade devo admitir que essa viajem foi do CARALHO!!!
Não esperava nada e por certos instantes me senti na dúvida... Será que foi uma boa idéia? Que que eu to fazendo em Montreal? Que que eu vim cheirar aqui?
Bom, nem eu sei o que me deu pra ir pra lá, só sei que foi D+.

P. S. Nem preciso comentar o porque do nome Stephane aparecer tantas vezes nesse post né?!!

Lilo Sanderson

6.18.2009

SÁBADO À NOITE - Episódio 16 - Especial de aniversário: Aline.


Finalmente chegou um novo aniversário, sendo assim um novo motivo para juntar a galera do "Sábado à noite", e dessa vez era o aniversário da Aline. Como nos anteriores a comemoração seria feita na casa de Hugo. No sábado em si, Hugo, Will e Val dormiram na cas de Manu, tiraram fotos e conversaram durante à noite. E mais uma vez o "sábado à noite" foi feito no domingo, afinal Doug iria trabalhar e na segunda seria feriado e todos estavam livres.

Chegaram na cas de Hugo, Will, Manu, Val, Aline e Tico que encontraram ainda, pelo caminho, Eder e Neimar. Este último era um companheiro de teatro deles, que não era muito bem vindo por ser um tanto quanto chato. Doug chegaria após o trabalho.

Sentaram-se em volta da mesa da cozinha e iniciaram um papo, como sempre, falando sobre teatro, sobre as gafes que cometeram, enfim. Will e Manu decidiram ir até o Habib's comprar esfihas, pois estavam apenas com as bebidas e o bolo da Fran.

Estavam ao redor da mesa Eder, Neimar, Tico e Hugo. Val e Aline estavam em pé e participavam da conversa. Então chegaram Will e Manu esbaforidos e sem esfiha alguma em mãos. No mesmo instante Doug ligou para Aline para dizer que já estava a caminho. Em meio aos comentários no alto tom de voz de Will o telefonema era difícil de ouvir.

Oi?? Estamos aqui já...
busquei sim, o bolo está aqui...
oi???...
Eu, o Tico, Hugo, Will, Manu, Val, Eder e Neimar...
O QUÊ?!? Quem chamou o Neimar?? Fui eu... porquê?? Não era pra chamar??

Neste momento a cozinha estava quase que em silêncio e todos, inclusive Neimar, olhavam para Aline. Que retribuiu o olhar, ficou muito sem saber o que fazer e foi finalizar a ligação na lavanderia.

Will tentando manter o clima animado na cozinha dizia que haviam levado as esfihas deles , mas os caras estavam realmente com fome e inventaram um história fantástica, quase todos acreditavam na história quando Aline parou no batente da porta com cara de dúvida e perguntou o mais baixo que pode, e ainda sim roubando a atenção de todos:

Tico... o que as esfihas estão fazendo em cima do tanquinho???

NÃÃÃÃOOOOO... Ai, Aline assim estragou nossa história, eles estavam quase convencidos!

Estragar o que? Não podemos comer as esfihas?

Aaaahhhh

A piadinha dos dois teve fim neste momento. Trouxeram as esfihas para a cozinha e começaram a comer. Em poucos minutos Doug chegou do trabalho e cantaram o parabéns. Após comer um generoso pedaço de bolo Neimar e Eder foram embora deixando os amigos livres para fazer os comentários e rir da amiga sem noção.

Riram muito da situação, e na verdade dão risada disso até hoje. Quando alguém está muito perdido sempre dizem "O que? Quem chamou o Neimar?"... Já virou um código. E a Aline é a mestra das frases e momentos sem noção!


Dorian

6.17.2009

O pedido.

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Casa comigo?

Carlos parou. Sua mão estava a poucos centímetros da maçaneta da porta. Seus olhos trasbordaram as lágrimas que tentavam secar. Aquelas palavras lhe foram como uma facada no peito. Ele pediu um tempo para Bruno e recebera como resposta um pedido de casamento? Por sua culpa seu namorado estava deitado numa cama de hospital com o corpo seriamente ferido pedindo-o em casamento. Virou-se lentamente e olhou para a cama. Bruno ainda olhava para o lado oposto e já não chorava mais.

Ontem eu disse que tinha algo para te dizer também. Era isso! Mas você não me deixou falar. Eu lhe dei a palavra e fiquei extremamente decepcionado com o que ouvi. Mas eu precisava te dizer isso, precisava que você soubesse da minha vontade. - Bruno voltou o olhar para Carlos que ainda estava parado próximo a porta - Nessa noite, durante o acidente, eu só pensava em você. Eu não queria morrer porque eu queria que você soubesse da minha vontade. Meu corpo todo doía dentro daquele carro, mas eu via o seu sorriso em minha frente, eu precisava ficar vivo pra te dizer que quero me casar com você. Que quero você cada dia mais e mais na minha vida. Obrigado por ser o homem mais especial em minha vida...

Se olharam sem nada dizer, Carlos chorava muito, as lágrimas caíam no chão como bombas carregadas de sentimento. Sua decisão estava tomada, e cada palavra do seu amado lhe feriam o peito.

'Cal', você não precisa me responder agora. Queria apenas que você soubesse. Eu te amo mais do que posso imaginar ter amado alguém em minha vida...

Não!

... entendo...

Não quero me casar com você. Não agora. Eu te pedi um tempo e é exatamente disso que eu preciso.

Bruno voltou o olhar para o lado oposto. Não chorava mais. Refletia sobre aquele momento, aquela situação. Carlos se aproximou da cama, puxou a cadeira que estava próxima e pegou na mão de Bruno.

Bruno, eu também te amo. Fiquei com muito medo de perdê-lo essa noite. Não consigo imaginar o meu dia de amanhã sem você, sem saber que você está por aqui. Mas eu preciso ordenar minha cabeça antes de tomar qualquer decisão. Casar agora? Não é muito cedo? Depois de ter te causado toda essa dor eu não acredito que você tenha me pedido isso...

Mas eu pedi. Eu ia pedir isso antes da dor, e você não é causador de nada disso...

Sim eu sou, se eu tivesse deixado você falar, se eu tivesse conversado com você, mas eu impus a minha vontade e ficou por isso mesmo.

Da mesma forma que está sendo hoje, você não teria mudado de idéia ontem... Eu te entendo 'Cal', e como já disse, queria apenas que você soubesse da minha vontade. Se você não está de acordo, tudo bem. Já te disse o que quero, o que penso. Você é ciente disso. Fiz minha parte, minha vontade.

Se olharam por um instante. Carlos se aproximou e beijou Bruno. Um beijo lento, com cuidado e muito apaixonado, pararam e com o rosto muito próximo se olharam profundamente, as palavras saíram da boca de Carlos quentes, lentas e sinceras, acompanhadas de um olhar intenso.

Eu te amo muito... seu porra!

Final romântico esse!

Riram. Carlos acariciou Bruno, passando os dedos suavemente sobre os contornos da boca, olhos e cada centímetro do seu rosto.

Então ficamos assim 'Cal'? Vamos "dar um tempo" no nosso relacionamento para que você pense? E depois?

'Mor', eu não vou aprontar nada, não se preocupe. Só preciso de dois dias, talvez três pra organizar as coisas na minha cabeça... eu acho!

Hum... devo ficar uma semana enfiado aqui. É tempo mais que suficiente pra você arrumar outro cara.

Pára com isso meu! Não vou te trocar por ninguém. Eu te amo, porra! Você não entendeu ainda? Preciso abrir essa janela e gritar pra todo mundo ouvir??

Eu acho que seria bacana, hahaha.

Bobão! Essa semana vai ser seu castigo. Vai ficar sem sexo.

Tenho mão pra que?

Hahaha, ai 'mor', como você é bobo.

'Cal'
, você vai passar a noite aqui comigo?

Vou!

Te amo!

Também te amo!

Se olharam e sorriram. As palavras eram sinceras, os sentimentos eram sinceros. A decisão estava tomada, o tempo pedido por Carlos seria dado, mesmo contra vontade deles. Carlos teria tempo para pensar na relação deles, teria tempo para pensar no pedido que acabara de recusar e ainda ecoava em sua mente. Ficaram conversando por mais algum tempo, Bruno contou detalhes do acidente até que adormeceu. O soro fazia efeito. Talvez fosse a primeira vez que Carlos via seu namorado adormecer. Acariciou-lhe o rosto. Refletiu sobre tudo que conversaram, sobre o quanto se amavam. Adormeceu com a cabeça apoiada na cama segurando a mão de Bruno. Não iria trabalhar no dia seguinte, ficaria ali com seu amado. Queria sim um tempo, mas não queria ficar longe dele.




Hugo Zanardi

6.15.2009

E agora que já se foi a Parada?


Foto: Rodrigo Coca/ Foto Arena/ AE


Amigo querido, a primeira coisa que tenho pra dizer é: "Karaio, como você faz falta!".
Vamos lá, vou te contar sobre o feriado gay de sampa, mas nem crie expectativas.

A quinta feira começou bem, fui para o treino no circo no Tendal da Lapa, foi um treino muito bom, fiquei quase 3 horas seguidas em cima do arame, nossa, como é bom treinar! Depois parti de lá, por volta de 14 horas e fui para o Vale do Anhangabaú para ver a Feira da Diversidade. Essa mudança da feira foi bem positiva. Cheguei lá, comi uma pizza, e vi uma apresentação de um pessoal do teatro do oprimido, bacana. Encontrei algumas pessoas conhecidas, entre elas o ex ex, Will... tá né, nem tudo é perfeito!

Mais tarde chegou o Paulo (Naná) com o Rafael, em seguida encontrei o Gui meu novo rolo, e logo chegou o Michael
. Sentei com o Gui nas escadinhas do vale depois de comprar uma camiseta amarela, e os meninos foram andar, beber e dar um 'oi' pra Tati. Eu e o Gui conversamos, beijamos, rimos e tals, foi bem legal. O @zecabral ligou para irmos na casa dele ver filme. O Gui não quis me acompanhar, nem Naná e Rafael.

Detalhe: o Michael beijou um emozinho com cara de 12 anos, feio. (não se deixe enganar, ele vai dizer o contrário) E fiquei sabendo depois, que a Naná beijou 2 caras e falou inglês com um francês em um bar na Augusta. Você sabe bem como é o inglês master arcaico da nossa amiga afro descendente não é?

Fomos eu e Michael. Chegando lá comemos pizza e, conversa vai conversa vem, decidimos ir pra jogação, afinal sexta era dia dos namorados e nós três estamos solteiros, o Gui não quis me acompanhar "perdeu plaboy". Fomos pra noite, não saímos casados, mas nos divertimos muito, na verdade eu não beijei ninguém. Cheguei em casa às 6 horas da manhã, o sol já estava gritando "vai dormir vampiro!".

Acordei as 13 horas de sexta e sentei em frente ao notebook, li, escrevi, e discuti com o Gui por ter saído na noite anterior, ele poderia ter passado a noite comigo, não quis. Azar! Ia ao teatro mas desisti, está fazendo muito frio nessa cidade. Só por Deus! Dormi na minha cama sozinho mesmo.

No sábado fui para o playcenter curtir o Gay Day com o Ruan, Michael e Naná, que chegou atrasada 1 hora no ponto onde marcamos. O Gay Day foi bem bacana, porém, não sei de onde tem saído tanta gente feia em sampa, na feirinha também estava difícil de ver alguém interessante. Mas o Playcenter foi bem legal, brincamos nessa ordem:
Boomerangue,
Cataclisma,
Evolution,
Pausa para o lanche, seguida de fervo na área livre onde tinha um Dj da Trash 80's tocando,
Windstorm,
Turbo Drop, aqui conhecemos umas gays do ABC, um deles queria beijar o Michael, mas não rolou, ficamos horas na fila,
Looping Star,
Looping Star,
Looping Star, é sim, fomos três vezes e na última causamos com a SPO pra deixar a gente ir de novo, a gente sempre causa. Básico!
Depois fomos dançar, e dançar. Ninguém beijou. Saímos de lá secos, nem uma gota de álcool em nossas veias. Decidimos dar uma passadinha no Autorama, afinal a grana está bem curta. Lá encontramos umas gays do ABC, Ariel, Rafinha e mais dois caras. Conversamos, bebemos e viemos embora. O domingo prometia, afinal chegara a maior parada gay do mundo.

Acordei cedo tomei meu bom banho, arrumei o cabelo, vesti minha camisetinha nova comprada na feirinha, roubei um vinho da geladeira e rumei. Pegar a Naná às 9h30. Chegou atrasada de novo. Marcamos às 11 horas com o Michael no mêtro Consolação. Deixei o carro na Augusta e subimos conversando. Michael chegou 11h20.

A parada começou bem. Mas eu nunca vi tanta gente feia e estranha junta num lugar só. Como queríamos que você estivesse aqui. A Naná foi a primeira a beijar, um boy na fila do banheiro, que eu chamei de "interesseiro" pois eles beijaram e o cara pediu um gole do vinho.Por volta de 13h30 eu vi um cara vomitando e caindo.
Oi Brasil??? Em apenas uma hora e meia o cara conseguiu beber o suficiente pra passar mal, ou será que começou às 10 horas da matina?
Fiquei muito revoltado com essa parada. Da mesma forma que fiquei na Virada Cultural. Tudo é motivo para se beber até cair pelas tabelas nessa país??? Ok, ok, mais uma vez eu admito que bebi, e mais uma vez eu digo que sei exatamente tudo que fiz e que estava completamente seguro sobre minhas pernas. Me irritou muito também os heteros bagunceiros... ok, ok os gays fervem sim, mas eu vi muito hetero arrumando briga com lésbicas ou com outros heteros.

OIIII BRASIL????? Li no blog do carioca sobre a revolta dele com a parada e concordo em partes, acho que o problema central é muito mais o público sem educação, sem escrúpulos, que gosta de tirar proveito de tudo e que não sabe se comportar, pra mim é isso que transformou esta parada, em um evento apenas comercial para a cidade. Para quê ter a MAIOR parada gay do mundo se ela está longe, muito longe de ser a MELHOR???

Mas ainda sim nos divertimos. Encontramos o JP, que trabalhou conosco na Disney e o Rômulo. Lembra do Rômulo?
Dançamos um pouco, mas os trios parecem que desceram a Consolação na banguela, nessa matéria diz que não houve nada de grave, porém nesta outra do G1 descobre-se que o buraco foi mais embaixo. E o pior amigo, eu e os meninos escutamos essa bomba, e estávamos muito perto. Medo!

Voltando a diversão... paramos na esquina na Consolação com a Angélica, na encruzilhada onde a coruja pia. E piou! Eu já tinha dado um beijo, bem sem-vergonha no Felipe, o leonino que beijei uns 6 meses atrás, ele me perguntou porque não nos vemos mais no msn. Mal ele sabe que tomou um 'delete' na cara. E passei o resto da noite apenas com esse beijo.
Já os meninos rodaram a banca, eu ajudo muito né, faço a linha comunicativo, então a galera vinha descendo e eu ia jogando eles pra cima dos meninos. Michael beijou 25, acho, depois do 20 na verdade paramos de contar, o Rômulo 5 que eu vi, a Naná 9 e o JP 2, e toda vez que um deles beijava a gente gritava, fazia festa e começava a dizer um número qualquer:

"Olha o Michael, 1.476 hein!! Uhuu!"

"Olha a Naná, 1.785!!!"

Num certo momento o Rômulo gritou isso pra Naná que estava beijando um boyzinho lindo. Paulo ficou muito revoltado.

"Ops, desculpe Paulo, chamar de Naná é força do hábito, saiu sem querer..."

Esses momentos foram muito engraçados. Ah, fizemos um boy mostrar o p... também, como no ano passado. Ele estava numa super pegação com outro cara, daí fizemos um rodinha, começamos a ferver com ele e fizemos ele por 'o menino' pra fora. Nisso, hora de evacuar. A gente causa um pouco. Desculpe!

Liguei pro Gui e marcamos de nos encontrar na Igreja. Rolou um desencontro, troca errada de informações e não nos vimos. Descemos para a Vieira de Carvalho, nos perdemos do Rômulo. Andamos um pouco por ali. O Michael e o Paulo beijaram de novo. O Paulo achou um cara super bonito, curitibano que deu umas pegadas safadíssimas nele no meio da rua. Um pouco antes disso rolou o bafão da bomba, mas estávamos na ponta contrária da rua, ainda bem.

Uns caras deram em cima de mim e tomaram 'não' na cara.

Um frio intenso em sampa, resolvemos que era hora de dar tchau. A parada teve muitas coisas boas sim. Mas senti muito a sua falta. Demais! E posso confessar, de uma outra pessoa também.

Cheguei em casa e tive uma leve discussão com o Gui por conta do nosso desencontro, mas já está tudo bem. E agora a vida continua normalmente, ao menos pra mim que não carrego sequelas deste evento. Saudade demais amigo. Saudades é a palavra que vem me acompanhando nos últimos tempos, e essa parada só me fez sentir mais saudades ainda. Saudades!!!
Beijos e até janeiro.
Te amo amigo.


Hugo Zanardi

6.11.2009

SÁBADO À NOITE - Episódio 15 - Especial de aniversário: Manu.


Este ano estava sendo cheio de surpresas, baladinhas e novos amigos e namorados na vida da turma do "Sábado à noite" por isso os encontros cada vez tinham intervalos maiores, desde o aniversário de Doug e Val vieram se encontrar para uma nova comemoração, o aniversário de Douglas Manoel ou Manu.

O encontro, como de costume seria na casa de Hugo, e estavam lá, Will, Manu, Val, Michael, Aline com o namorado Tico, Doug com o namorado Jocemar, dois amigos de Will, Célio e Rafael, Karina e Junior que saíram cedo da festinha. Na semana que passara Junior e Glaycon brigaram entre si então os dois juntos na mesma festa, por enquanto, não iria rolar.

Doug e Hugo decoraram a cozinha com balões, Doug fez um 19 com balões finos e colou na parede, Aline levou coxinhas feitas em casa, eles tinham o delicioso Bolo da Fran de chocolate com morango, e bebida, muita bebida e melhor que isso, estavam juntos.

Conversaram muito, contaram onde Doug havia conhecido o Jocemar e decidiram chamá-lo de 'Zé':

Cara, desculpa, mas Jocemar não rola. Fica 'Zé' mesmo!

Conversaram, comeram, beberam e riram muito, lembravam de coisas do passado, de cenas de espetáculos que haviam feito juntos. Como Célio e Rafael não conheciam as histórias, então era preciso contá-las do começo para situa-los.

Michael contava as histórias d'A Lôca, a boate que ele mais frequentava. Will e Val dançaram na sala ao som de um possível tango. Cantaram Marisa Monte. Tiraram algumas fotos. O vizinho chamou a atenção de Hugo por conta da conversa alta e barulho excessivo. Decidiram cantar o "Parabéns a você":

PARABÉNS A VOCÊÊÊÊÊ!!!
NESSA DATA QUERIDA, MUITAS FELICIDADES, MUITOS ANOS DE VIDAAAAAAAAA....

Talvez o vizinho dois bairros mais longe tenha escutado a cantoria. Se o vizinho estava reclamando, agora ele teria um motivo real para reclamar.

Cortaram o bolo, nesse momento o silêncio impera nos "Sábado à Noite", ninguém se atreve a falar enquanto come o Bolo da Fran.

Continuaram conversando, porém num tom mais aceitável. Doug e Jocemar arrumaram um colchão para dormir na sala, Val e Manu dividiram outro pequeno colchão no quarto e o colchão de casal de Hugo abrigou os demais:

Se alguém ouvir o trem passando me acorda?

Pra que Doug?

Ah, sei lá Val, só pra ouvir.

HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA

No colchão de casal Michael deitou perto de Célio e Rafael, traições à parte, todos ali eram de maior e sabiam o que faziam.

Mais uma noite juntos, mais uma vez sabiam que aquelas eram as pessoas que mais amavam. Os amigos.


Dorian

6.10.2009

Hospital.


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Carlos desceu rapidamente do táxi, nem pegou o troco da corrida. Desceu correndo em direção a entrada da UTI, o segurança na guarita não teve tempo de segurá-lo, passou o aviso pelo rádio. Quando tentou entrar correndo no prédio foi detido pela segurança da recepção. O rádio havia sido mais rápido. Discutia com o cara grande que o segurara quando Sr. Nildo surgiu:

Tudo bem segurança, ele vem comigo. Ele vai se acalmar não é Carlos? Venha, sente-se um pouco. Sente-se!

Sentou contra sua vontade, seria o melhor para acalmar a situação. Seus olhos transbordavam pânico, espanto, curiosidade, um verdadeiro mix de emoções. Sr. Nildo se aproximou trazendo um copo d'agua, antes que Carlos pudesse dizer algo foi cortado pelo sogro:

Antes de qualquer coisa, se acalme. Ele está bem! Está no quarto da UTI faz uns quinze minutos com a mãe. Respirou fundo e pensou por um instante. Foi Deus que não deixou ele partir. O Kadett foi atingido na lateral, na porta do Bruno, por uma Pick up, e foi arrastado e bateu num poste. Ele estava em alta velocidade, os dois estavam. Mas o Bruno não é de correr... enfim, algo, acho que um pedaço grande de vidro, não sei ao certo entrou no peito dele, e por uma distância muito pequena não acertou o coração, ou uma veia importante... não sei exatamente, não dei muito ouvidos para o doutor. Fizeram uma operação para retirar, está tudo bem. Nova pausa, seus olhos estavam vermelhos, e lágrimas ainda ameaçavam cair. A perna esquerda quebrou em três lugares, a clávicula direita deslocou, está com muitos ferimentos nos braços e um na cabeça... Mas ele está vivo, isso que importa. Pegue meu cartão de visitante e vá até o quarto vê-lo. Ele já falou seu nome umas duzentas vezes. Vá!

Pegou o cartão laranja do sogro e pendurou na roupa. Até este momento não havia trocado muitas palavras com ele apesar de sempre estar presente nas festas e almoços. Apesar do momento incômodo, sentiu-se feliz de ter ouvido seu sogro. Ao chegar no corredor onde ficava o quarto encontrou Dona Tânia fechando uma porta, segurando um lenço para secar as lágrimas. Ao levantar o rosto ela olhou-o, sua expressão secou:

Não o incomode, ele está dormindo. Se ele não tivesse perguntado tanto por você, prometo que você não entraria aí. Eu sei que a culpa dele estar nessa cama é sua e da sua imaturidade. Você não sabe levar um relação. Por conta de suas bobeiras quase matou meu filho... mas tudo bem, não espero que você entenda mesmo.

Deixou Carlos parado no meio do corredor. Não sabia o que fazer. As palavras da sogra ecoavam em sua cabeça. Sim, a culpa era dele. Por sua causa Bruno havia saído dirigindo como um louco, por culpa sua estava correndo. Por causa de sua decisão Bruno não viu o carro que vinha em sua direção, não estava atento. Por sua culpa! Abriu a porta lentamente, somente a cama de Bruno estava iluminada por uma luz direcionada da cama. Parou e observou. Por sua causa o cara que amava estava deitado naquela cama. A perna esquerda estava imobilizada e suspensa, o braço esquerdo, enfaixado, descansava sobre o peito, o ombro direito também estava enfaixado e o braço ao longo do corpo recebia uma agulha que lhe trazia soro e os medicamentos, havia também uma faixa na cabeça e alguns curativos no rosto. Por um instante sentiu vontade de rir, Bruno parecia um desenho animado, como Pica-Pau ou Tom & Jerry quando são atropelados, mas não tinha nenhuma graça. Ele era o causador daquilo, causador da dor, das lágrimas da mãe, das suas lágrimas. Aproximou-se da cama, tocou a mão esquerda de Bruno. Chorou. Muitas palavras vinham á sua cabeça, mas nenhuma saíra. Bruno ouviria? Talvez. Sentiu uma pressão em seus dedos. Bruno o olhava:

Eu estou tão feio assim?

Carlos olhou para Bruno que levemente sorria, como podia fazer piadinhas num momento como este? Não conseguiu se conter. Sorriu.

Assim que eu gosto, ver você sorrindo. Apesar que seus olhos ficaram lindos assim vermelhinhos. - Sua voz saía falhada, mudou drasticamente de tom. O que você está fazendo aqui?

Eu vim saber o que aconteceu. Vim pra ver como você esta. Ficar com você. Cuidar de você.

Carlos você não é médico pra cuidar de mim. E já estou ótimo. Já acabou o tempo que você me pediu?

'Mor' não é assim também...

É sim Sr. Carlos. Agora, só porque eu estou deitado nessa merda de cama você está aí todo choroso?

'Mor'...

Meu nome é Bruno!

Carlos engoliu seco, respirou fundo, o choro voltou.

Bruno não vamos brigar agora, eu fiquei preocupado, pára com isso...

É só assim que surge a preocupação não é Carlos?
Chorava. Agora você vem se preocupar comigo né?

Pára Bruno, não é nada disso...

É isso sim... Sai!

O quê? Como assim?

Sai do quarto.
Chorava ainda mais, sua voz agora estava mais forte e decidida. Você pediu um tempo, e seu tempo ainda não acabou. Agora sai.

Eu não quero mais tempo nenhum. Pára com isso Bruno.
As lágrimas escorriam pelo rosto. Eu quero você, eu te amo!

Carlos... sai.

Silêncio. Bruno virou o rosto e soltou a mão de Carlos. Ele ficou parado ao lado da cama chorando. Isso não poderia estar acontecendo. Bruno seria assim tão radical? Carlos sentiu uma dor no peito, mais lágrimas. Se amavam. Olhou mais um instante para o namorado. Respirou fundo e virou-se para sair. Parou em frente a porta, baixou a cabeça e olhou mais uma vez para a cama. Bruno olhava para o lado oposto chorando.

Carlos...?

Estou saindo.

Casa comigo?

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Hugo Zanardi

6.08.2009

Sem medo de viver


A realidade sou eu

carros passam sem parar,

pessoas sem relação nenhuma

vivem em harmonia

sem questioná-la, aceitam-na

indiscutivelmente.

Poderíamos somente viver

e desfrutar dos bons momentos,

vamos compartilhar as felicidades

com todos e para sempre.

A falta que um coração

traz a um ser é o fundamento

de sua existência,

se ela vier e te levar,

nem assim te esquecerei.

Para todo o sempre,

sempre viverei para te lembrar

e mesmo que não queira,

já sou parte de você.



27/10/02 19:27h


Primeiro texto que escrevi na vida, acho que serve claramente para os dias de hoje. Esses textos que irei postar mostrarão a evolução de uma pessoa em busca de uma boa escrita. Ainda estou nessa busca. Espero que gostem comentem, e se você passa por aqui, saiba que um deles pode ter sido escrito exclusivamente pensando em você.

Hugo Zanardi

6.04.2009

SÁBADO À NOITE - Episódio 14 - Especial de aniversário: Doug e Val.


Depois de muito tempo finalmente a turma se encontrou para mais um “Sábado à noite”, que por sinal estava acontecendo num domingo à noite. E dessa vez era uma versão especial para os aniversariantes Doug e Val.


Mais uma vez o cenário era a pequena casa de Hugo. Estavam presentes os aniversariantes, Hugo, Karina, Amanda, Manu e Glaycon. Combinaram de não beber muito pois o dia seguinte deveria ser de trabalho e estudo. Tinham duas garrafas de vinho e o bolo da Francisca – o melhor bolo já comido por eles.


Como no último encontro, eles não fizeram muita baderna. Beberam, conversaram e comeram, coisas básicas para se fazer numa reunião de amigos.


Doug contou do dia anterior, pois havia comemorado seu aniversário na casa de seu primo, Victor Hugo, em Santo André, para confraternizar com os amigos da escola de dança. Doug estava vetido de 'Tempestade' dos X-men, com um macacão preto emprestado de Aline, uma peruca branca de um dos figurinos e uma capa de Hugo. Bebeu bastante e pediu para um de seus amigos levar para dar uma volta de moto. Todos os convidados viram quando passou pela rua paralela, a capa solta ao vento e gritando. Quando voltou para a casa do primo todos riam muito com a cena.


Contaram do 'Renegados', um evento na escola de circo, em que Hugo e Val dançaram flamenco e ele com Doug e mais três amigos da escola fizeram um cena que intitularam de pirulitos psicodélicos, onde os cinco com macacões coloridos agarrados ao corpo fizeram uma coreografia baseada nas aulas de mímica. Mas a platéia até que gostou e se divertiu.


Continuaram conversando por muito tempo, cantaram “Parabéns a Você”, duas vezes e comeram o delicioso bolo. Conversaram mais um pouco e precisaram se despedir. O dia seguinte era segunda-feira e alguns deles acordariam muito cedo.


Mas o pouco que ficaram juntos foi suficiente para saber que são amigos pra vida toda e que se adoram muito.







Dorian

6.03.2009

Sozinho na cama.


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O motor roncou alto e o Kadett azul partiu veloz. Carlos o viu fazer a curva e rapidamente sumir de vista, ficou ali paralisado na rua sem sabe o que fazer, ou o que acabara de fazer. Entrou em casa e foi direto para seu quarto. Entrou devagar, sentou-se na cama e descansou o rosto nas mãos apoiadas na perna. Olhou para o celular sobre a cômoda. Deveria ligar? Não podia, não tinha coragem.

Carlos ligou o rádio relógio e deitou-se na cama apreciando o teto parcialmente escuro, uma luz singela que vinha da rua atravessava a janela aberta e lhe dava alguma visibilidade do teto, frio, vazio. O que faria de agora em diante? Será que havia feito o melhor?

Depois de tanto tempo juntos porque estou com essa dúvidas? Eu amo tanto ele meu Deus, será que é errado amar alguém? Ai Deus, ele ficou tão abalado, o que eu faço? Mas está tudo tão complicado... ai cacete, pior é que agora eu já falei com ele... que confusão na minha cabeça...

"... O nosso amor não vai parar de rolar, de fingir e seguir como um rio,como uma pedra que divide o rio, me diga coisas bonitas

Adoro essa música
- Cantou baixinho prestando mais atenção que o normal as palavras que compunham a letra da música.

"...o nosso amor não vai olhar para trás, desencantar nem ser tema de livro, a vida inteira eu quis um verso simples pra transformar o que eu digo..."

Muitas imagens lhe invadiram a mente. A viagem para Ubatuba, o primeiro motel que foram, os almoços juntos. Adorava quando Bruno vinha almoçar com ele, sentia-se feliz com sua presença. Sempre que saía do escritório era recebido com um lindo sorriso, muitas vezes seguido de alguma piadinha, ou brincadeira pervertida que o fazia ficar encabulado. Sempre davam um jeito de se beijar. Amava beijar Bruno. Como o beijo era gostoso...

"...rimas fáceis, calafrios, fura o dedo faz um pacto comigo, num segundo teu no meu, por um segundo mais feliz..."

... o beijo era muito bom, sentia tudo naquele beijo, seus lábios eram quentes e diziam mais que qualquer palavra, o quanto o amava, era expressivo, caloroso, envolvente vinha acompanhado de mãos fortes que percorriam seu corpo, que o tocavam de um modo nunca antes tocado, seus dedos pareciam expelir desejo, seu toque era macio, mas também era firme, ou suave, mas sempre carinhoso...

...o nosso amor não vai olhar para trás, desencantar nem ser tema de livro, a vida inteira eu quis um verso simples pra transformar o que eu digo - Cantou junto, baixinho. Pensante.

... a vida inteira eu quis um verso simples... - Pensou. Um verso simples. Quantas vezes já havia escutado um verso simple de Bruno. Três palavras apenas. Ainda sentia que algo estava distante neles, não sabia, talvez o trabalho, talvez a relação com a família de Bruno, ou pior.... talvez... Bruno. Seria possível o amor acabar? Será que esse tempo significava que o amor por Bruno estava deixando de existir em seu peito? Os olhos marejaram...

"...rimas fáceis, calafrios, fura o dedo faz um pacto comigo, num segundo teu no meu, por um segundo..." ... mais... feliz?

Uma lágrima escorreu pela face, as palavras finais lhe cortaram o coração, sentiu uma sensação estranha, como se um medo repentino o invadisse...

"... Nova Brasil FM, a moderna música brasileira. Paralamas do Sucesso 'Quase um Segundo'..."

O primeiro acorde da música fez o medo aumentar em seu peito, não entendia. Um segundo atrás não o queria, agora estava apreenssivo, sentia sua falta, continuava fitando o teto escuro que agora havia se tornado uma tela de cinema particular onde ele via todo que passaram juntos...

"... será que você ainda pensa em mim? Será que você... ainda pensa?... Ás vezes te odeio por quase um segundo, depois te amo mais..."

Sempre o amava mais e a cada segundo mais. Mas sua decisão estava tomada, precisava apenas de um tempo para saber como resolver tudo sem magoar seu amado. Embalado pela voz de Hebert Vianna adormeceu, com a roupa que estava, pensando em Bruno.

Acordou assustado com o celular tocando insistentemente. 'Bruno casa' apareceu no visor. Deveria atender? De acordo com o rádio relógio havia dormido 40 minutos. Bruno já havia chegado, deveria estar nervoso, ou iria apenas avisar que chegara bem Exitou.

Alô. Oi Bruno!

Oi Carlos, aqui é o pai do Bruno.

Sr. Nildo. Tudo bem? O que houve, porque o sr. está me ligando uma hora dessas? Está tudo bem?...

Calma Carlos... é... o Bruno... bem, ele...

O que houve sr. Nildo?

O Bruno sofreu um acidente agora à noite e está no hospital da Clínicas, na UTI. Achei que você precisava saber!



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Hugo Zanardi