A cama vazia.


Carlos abriu os olhos e mirou a janela. Uma luz fraca e uma sensação fria chegavam até ele, estava sozinho na grande cama. Olhou para o lado, respirou fundo, passou a mão pelo espaço vago no colchão. Levantou-se e foi até a janela. O céu estava cinza e nuvens pesadas prediziam chuva. Suas lágrimas certamente viriam dos deuses. Cheirou o ar. O costumeiro cheiro de café não lhe invadiu as narinas, olhou mais uma vez pela janela. Era a primeira vez que apreciava um céu de um cinza tão intenso. A cidade inteira estava tomada pelo mesmo sentimento. Foi até o banheiro, escovou os dentes olhando-se no espelho, reparou as olheiras que o acompanhavam e as marcas de cansaço.

Dirigiu-se para a cozinha, não tomaria café mais uma vez. Pegou uma caixinha de suco e derramou seu conteúdo em um copo que estava sob a pia. A cozinha estava uma bagunça, à dias sem limpar. Louça acumulada, óleo impregnado nas paredes e nas bancadas antes tão bem cuidadas, iluminadas e higiênicas. Era como se o próprio Catrina houvesse devastado aquela pobre paisagem interna. Olhou com desgosto para o acumulo de sujeira, sentiu um misto de asco e ódio em seu peito e atirou o copo contra a parede, criando um novo foco de imundice.

Foi até a sala e sentou-se na poltrona em frente a TV. Na sala a cena se repetia. Dezenas de pacotes de pipoca, pacotes de salgadinhos, potes vazios de sorvete invadidos por pequenas formigas. Havia dispensado a empregada. Queria ficar sozinho, pensar, refletir. Não imaginava que seria assim. Não tinha vontade de nada. Não limpava, mal comia, e dormira mal nas últimas 4 noites.

Estendeu o braço até a mesinha ao lado da poltrona e alcançou o porta retratos prateado que continha dois sorrisos. Dois homens sorrindo. Cabeças encontradas olhando para frente e sorrindo com vigor. Um deles tinha olhos verdes intensos e profundos, duas esmeraldas que saltavam do papel fotográfico e quase podiam tocar-lhe a face. Ele e Bruno. A foto que Bruno elegera como a mais linda dos dois juntos enfeitava a sala, dando um ar alegre e descontraído aquela simples mesinha.

Agora essa mesma foto era o motor gerador de lágrimas que iniciavam lentas e discretas, traziam sentimentos e lembranças ao coração e à mente, que faziam aumentar o choro e a saudade. Saudade de Bruno que não estava mais ali, que o havia deixado, sentia sua falta cada instante, tanto tempo juntos, tanto amor dispensado, e agora tanta dor em seu peito, a casa vazia, a distância de todos. Ele se foi mas Carlos ficou, o sentimento ficou e permaneceria eternamente, tentou conter o choro, quis atirar longe o retrato, mas o máximo que conseguiu foi tocá-lo com os lábios e beijá-lo tremendo, querendo que o calor de Bruno surgisse ali, naquele momento trazendo novamente a alegria para aquela casa, para que o sol, ali, brilhasse mais uma vez. A chuva caiu, forte, e presente.

Um clarão cruzou o céu. Um relâmpago caiu forte e estrondoso. Carlos sobressaltou da cama, transpirando, assustado e chorando, olhou para os lados tentando entender o que acontecia. Olhou para o lado da cama. Vazia, chorou mais. Fitou o relógio e apurou a visão. 3 da madrugada. A chuva castigava o telhado. Acalmou-se e pegou o celular, discou para Bruno. Caixa postal. Lembrou-se da viagem, deveria estar ainda no avião ou próximo já de pousar. Respirou, se acalmou. Ele voltará em 5 dias. São apenas 5 dias. Discou novamente. Caixa postal, a mensagem personalizada, o sinal sonoro:

Bruno, eu te amo muito e quero ficar sempre ao seu lado. Já estou com saudades. Te amo pra sempre!

Desligou o celular, voltaria a dormir e quando o sol estivesse no céu sabia que seu amor ligaria. Estava mais calmo, foi apenas um sonho, ainda era amado por Bruno, sabia disso, sentia o mesmo por ele.




Hugo Zanardi

AGRESSIVIDADE

Calmaria e compreensão

Dúvidas desesperadas sem

Respostas imediatas

De que adianta a

Moralidade

Cada um odeia quem quiser

Mesmo podendo amar a todos.

E daí se somos humanos

Não nos comportamos como tais

De nada vale o ter

Se ao piscarmos os olhos

O tudo se transforma

Odiar é a base da vida

É assim que se forma

Uma grande sociedade

Você não sabe o que faz

Eu me culpo por isso

Mas você não é meu filho

Preocupe-se com ela agora

O ódio é passageiro e transformador

Eu te culpo por isso,

Tem sempre um culpado.

Nada importa, quando se está calmo

E também quando me odeia

E me olha com tesão

É assim que te vejo

Uma máquina Burra de trepar

Que não da conta de mim

E ainda pensa que pensa.



20/05/03 11:44h



Não mudei a formatação do texto original de propósito, justamente porque a proposta dele é essa. Eu estava mesmo num momento bem revoltado, passou já. Aos que acompanham este blog perceberam que quarta passada não postei nada sobre Bruno e Carlos. Desculpem, essa semana um novo capítulo já está pronto.

Beijos. Hugo Zanardi

SÁBADO À NOITE - Episódio 20 - Os "Descolados".


Após o aniversário de Will e Amanda, uma pequena parte da galera se encontrou uma vez ou outra para por as fofocas em dia, ir numa balada, ou barzinho, coisas simples. Porém os pais de Hugo viajaram e a Parada Gay estava chegando.
Hugo havia conhecido uma turma de amigos que se intitulavam "Descolados", faziam parte dessa turma Caio, Samuel, Paulo, Bruno, Leila, Vitor e mais duas ou três pessoas. Conhecia-os através de Caio pois trabalharam juntos. Caio dizia que seus amigos eram muito mais legais, bebiam mais e todo tipo de provocação de amigos, coisa normal de adolescentes, a grande maioria dos "Descolados" eram heteros (ou pseudoheteros). Então Hugo decidiu marcar um Sábado à Noite e juntar as duas turmas. "Sábado à Noite X Descolados". Fez uma aposta com Caio. Cada um tomaria uma garrafa de vodka, se Caio perdesse deveria beijar Hugo, se este perdesse Caio daria a sentença que quisesse. Hugo tinha certeza que ganharia.

O sábado à noite começou apenas com a galera de sempre e um convidado, Roger que viera de Joinville para a Parada Gay paulista, com ele estavam Hugo, Will, Amanda, Karina, Junior, Val, Manu, Doug, Naná (Paulo) e Michael. Todos na casa de Hugo. Fizeram a bebida título do encontro e brindaram. Beberam quase dois litros do néctar criado por eles, algumas cervejas, e um vinho, conversaram muito até que depois de muito tempo chegaram os "Descolados", que também já haviam bebido um pouco.

O primeiro instante foi de apresentações, Hugo e Caio fizeram as honras aos demais apresentando todo o grupo entre si. 17 pessoas se conhecendo e conversando. Como a idéia era interagir os grupos fizeram um novo brinde, dando a oportunidade aos "Descolados" de conhecerem a bebida "Sábado à Noite".

A partir daí virou uma grande reunião, Junior, anarquista, conversava com Vitor, estudante de história, sobre o capitalismo, o socialismo e a sociedade em geral, gerando uma discussão calorosa e pouco convidativa aos demais.
Na TV passavam episódios de algum anime, logo trocado por um DVD contendo muitos clipes, que disputavam lugar com o rádio tocando Marisa Monte.
No quarto alguns se conheciam e falavam para Roger sobre a vida em São Paulo e questionavam sobre o Sul.
Na cozinha Caio e Hugo iniciaram sua disputa, cada qual com uma garrafa de vodka, conversando e bebendo, bebendo e conversando.
Val já estava meio alegre e dançava na sala, ora com Will, ora com Doug.
Michael intervinha em todas as conversas falando incessantemente e fumando tanto quanto falava.
Samuel pediu a Hugo uma indicação de um local reservado e sumiu por algum tempo.
Naná conversava com Roger e com os novos conhecidos, entre eles o xará Paulo. Havia um possível interesse de ambas partes.
No quarto alguns colchões cobriam o chão e alojavam as pessoas. Num certo momento entraram 11 no quarto, apagaram as luzes e... não sei bem o que aconteceu, mas durou cerca de 5 minutos apenas. Do lado de fora estavam Karina, Junior, Vitor, Leila, Amanda e Val!!!

Caio estava bem alegre, bêbado, quase passando mal. Ainda restava pouco menos da metade de sua garrafa. Hugo havia secado sua vodka mais 2 latas de cerveja e ainda estava de pé, rindo e conversando. Tomou a garrafa de Caio e deu um trago longo. Aposta perdida, deveria pagar por sua língua. Pagar por duvidar. Pagar a aposta que nunca deveria ter aceitado. Junior, Karina e Amanda já haviam ido embora. 9 se alojaram no quarto como puderam e na sala ficaram Hugo, Caio, Val, Will e Vitor.

O namoro entre Hugo e Will era aberto, então Caio iria pagar a perda da aposta. E pagou! Beijou Hugo, e não foi um simples selinho, foi um super beijo longo, ainda levou de brinde um beijo de Will e de Val também. Quase no amanhecer um vulto atravessou a sala saindo do quarto como um raio em direção ao banheiro. Quem era e o que havia acontecido? Nem as paredes revelam. Mistééério!

Antes do sol nascer Leila, Paulo, Samuel, Vitor, Caio deixaram a festa agradecendo pela noite agradável e pela cia de tantos amigos legais. No dia seguinte estariam todos na avenida Paulista sabendo que, seja Sábado à Noite ou seja Descolados o que realmente importa é ter amigos de verdade.


Dorian

FALTAS ANORMAIS


Odiar quem se ama,

nem que por um segundo

que pode durar um século.

Pela distância

de estar tão perto

evaporando sua essência,

transformando num êxtase

alegre que não se explica.

Sentir é difícil de dizer,

não podemos desenhar

a expectativa que faz

vivermos intensamente.

O vazio que sentimos

logo abaixo do peito

incomoda a todos,

sentir fome é normal,

o difícil é saciá-la.

Preencha meu tempo,

me faça feliz,

se você perder,

ao menos tente

para ser útil.

Sorria para o espelho

ele irá te retribuir,

dance conforme a música,

ela muda a toda hora.

Sonhe cada noite um sonho,

realize-os pelo dia.

Minta para si mesmo,

seja real com o mundo.

O respeito vem sozinho

encontrando seus males,

vamos comemorar

a hipocrisia de todos

os incrédulos que

acreditam na verdade.

É melhor saber que ela

não existe aqui,

e em lugar nenhum.


22/06/03 20:25h



2003. Nossa foi uma ano 'babado'. Mas sempre superando bem, minha época um pouco mais revoltada e tals, eu trabalhava na prefeitura de Mauá e minha maneira de me expressar era através das linhas e das palavras nos rascunhos perdidos pelos escritórios, biblioteca ou eventos. No dia em questão estava trabalhando na festa junina da cidade, fazendo um banco de horas absurdo que nunca abati inteiro, pedi exoneração da prefeitura e ainda me restavam 360 horas, que, óbvio, eles não pagaram como extra. Depois que eu saio da prefeitura eu paro de escrever e só retorno agora com o blog, devido acontecimentos X, que 'tamô ae' superando dia a dia, aos poucos e com muito cuidado e auxílio dos meus amigos incríveis. Porém, é possível reparar como a expressividade, conteúdo e tudo mais nos textos mudou.

Obrigado, até mais, comentem!

Hugo Zanardi

SÁBADO À NOITE - Episódio 19 - Especial de aniversário: Amanda e Will.

Com Hugo de volta para a casa dos pais os "sábados à noite" tornaram-se ainda mais raros, porém chegou o aniversário de Amanda e Will e era preciso fazer uma comemoração, depois da balada a galera se viu poucas vezes juntos. Porém combinaram o encontro na casa de Val e pra lá seguiram, Hugo, Will, Doug, Manu, Karina, Aline, Tico, Val, Amanda e o namorado Rogério. Haviam comprado, o sempre bem quisto, bolo da Fran, todas as coisas para fazer a bebida "sábado à noite", mais uns barrizinhos de Duelo, vinho e alguns salgados. Conversaram por algum tempo colocando as fofocas em dia, sobre as últimas apresentações da 'Casa de artes', as últimas baladas que haviam ido, os boys do momento. Manu estava envolvido com um tal de Jacques que no dia seguinte viria até Mauá City vê-lo. Tico havia feito uma operação para raspar as maçãs do rosto e foi motivo de chacota por muito tempo, pois estava com dois pequenos curativos, Doug e Hugo que causavam mais:

Ai que bixona, fazendo cirurgia estética... Pu favôô!

HAHAHAHAHAHAHAHAHA

Vamos brindar, só as pessoas do sábado à noite, os conjugues nem vem, Will, Rogério e Tico, só olham. Vamos lá, começa Val.

Tá... hum... dinheiro! Karina.

Ao Ju que não veio, hehehe e a nós! Ramanda.

Ao Rogério, e muito trabalho! Meira.

Iiii, que coisa chata ficar envolvendo boys. Pau! Manu.

Booooys, hahahahaha e a vocês meus amigos! Hugo.

Aos paus dos boys, hahahahaha e trabalho.

ARRIBA, ABAJO, AL CENTRO A DENTRO...

Esse brinde foi presenteado com várias fotos, porque Will adorava registrar tudo que acontecia. Viraram o primeiro copo, e foram beber mais. Rogério ficou irritado com o excesso de bebida e ficou a maior parte do tempo no quintal. Cortaram o bolo e decidiram lamber a tampa que protegia o bolo:

Lambe a tampa!!!

Heeeee...

Lambe a Karina!!!

Heeee...

Lambe a Aline!!!

Heeeee...

Lambe o Doug...

...

Ninguém queria se manifestar porque o Doug é muito forte e joga as pessoas a metros de distância com apenas uma mão. Riram e foram dançar, relembrar um pouco do passado. Vestiram uma saia que Amanda usava nas apresentações e começaram a fazer as coreografias que o diretor montava nos espetáculos, dançaram sevillanas e muitas outras coisas. De repente:

Montinho no Will!!!

Ele era um dos aniversariantes e precisava receber seu presente coletivo. Muitas pessoas surgirão sobre ele que teve o corpo esmagado sobre o concreto frio, riam exageradamente pois já estavam todos bem alegres devido a quantidade alta de álcool que já corria pelas veias. Rogério ficou estressado e resolveu ir embora levando Amanda junto. Os que ficaram tiraram foto fazendo pose de putas, batendo no amigo com travesseiro, pegando Aline de surpresa para rir dela quando ela gritava "de perfil não!", fotos do Doug e da Val dormindo, ela com a saia de Amanda na cabeça como se fosse um véu. Tico e Aline ditados juntos e ele sem poder encostar as bochecas no travesseiro por conta das maçãs. No fim da noite, quase início do dia, Valdete, irmã de Val juntou-se ao grupo alegre para papear e dormir. Antes de dormir ainda riram muito e fizeram silêncio para tentar ouvir o galo cantando, mas o silêncio só era possível durante o sono real de todos.

No dia seguinte pela manhã Hugo e Doug acordaram e a mãe de Val já havia feito um café bem forte.

Doug? Será que fica ruim café com conhaque já pela manhã?

Não sei Santana, bebe aí

E ele colocou mesmo uma dose generosa de conhaque no copo de café quente e bebeu, respondeu com uma rápida cara de asco:

Nossa, 'mór' bom!

HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA



Dorian

Festa surpresa.


Carlos estava muito irritado naquela quinta feira. Seu aniversário e Bruno iria viajar à trabalho.

Oi Nalu, você me ligou?... Obrigado irmã do meu coração! Eu também te amo muito... ah, não sei ainda, acho que vou pra balada com meus amigos... porquê?? O meu querido namorado vai viajar pra Campos, HOJE, para trabalhar... tá eu sei que é trabalho, mas ele podia mandar o assistente e ir amanhã... é o segundo aniversário meu que estamos juntos e ele vai me dar uma dessa?!... ah, não sei... eu acho que estou a fim de sair mesmo... eu também estou com saudades do Igor... ah, não vale chantagem... tá bom então eu vou, até a noite irmã!

Passou o restante do dia um pouco menos irritado, recebeu algumas mensagens, e poucos telefonemas, sua companheira de escritório pagou-lhe o almoço no McDonald's. Havia recebido uma mensagem de Bruno ao bater da meia noite que dizia apenas
"Feliz Aniversário", mas Carlos sabia o quanto de amor aquelas simples palavras carregavam. Saiu do escritório e rumou para o apartamento de sua irmã mais velha, Ana Luiza conforme haviam combinado pelo telefone. Tocou a campainha, via pelo vão da porta uma simples claridade, provavelmente Ana estava assistindo a novela das 7. Ouviu a irmã anunciando ao pequeno Igor:

Vamos abrir a porta pro tio?

PARABÉNS PRA VOCÊ, NESSA DATA QUERIDA, MUITAS FELICIDADES, MUITOS ANOS DE VIDA!

Na repetição da música o coro virou uma grande zuada misturando o parabéns a piadinhas e gritos, pulos e acenos de mão, a sala da casa de Nalu estava tomada por balões coloridos que dividiam espaço com seus amigos, irmãos, sobrinhos e ao lado da mesa, os olhos verdes mais penetrantes e irreconhecíveis: Bruno.

Ele não havia viajado, tramou tudo para que a festa pudesse acontecer. Carlos nem duvidou dos planos. Sobre a mesa um lindo bolo de chocolate com morangos. A festa tomou conta da casa sendo invadida por música, conversas e pessoas que abraçavam Carlos e lhe desejavam toda sorte de felicidades. Cortou o bolo. Segurou o primeiro pedaço sobre o pratinho nas mãos, seus olhos pousaram sobre os olhos de Bruno, respirou fundo e percebeu um discreto aceno de cabeça que lhe dizia "não". Sorriu. Bruno era sempre muito compreenssivo, entregou o pedaço para a irmã que cedera o apartamento, que fora também cúmplice de toda a trama. O bolo começou a ser fartamente distribuído, e as pessoas conversavam tentando sobressair o som alto que vinha do rádio. Um novo aceno de cabeça para Carlos. Bruno indicava a varanda. Uma cortina vinho cobria a porta que dava o acesso, atravessaram-na e estavam do lado de fora, todos estavam ocupados com o bolo não dariam falta dos dois por alguns minutos. Tempo suficiente pensava Bruno. Não podiam dar bandeira na frente do pai de Carlos nem dos cunhados. Bruno tinha um pacote nas mãos. Olhou para Carlos nos olhos e entregou o embrulho sem nada dizer. Apenas sorriu.

Uma camiseta vermelha com um coração tribal em silk e um cartão com balões coloridos contendo a palavra PARABÉNS na capa, dentro as letras prateadas diziam:

"Você tem um brilho mágico todo especial e por isso merece...
toda felicidade do mundo"

Em letras bonitas e redondas escritas a mão com uma caneta preta o interior do cartão estava repleto de palavras:

"Mais uma ano que passou, um novo ano que está vindo, estou ao seu lado e quero permanecer. Te desejo as maiores felicidades que Deus puder te enviar, e todas outras que eu puder lhe proporcionar. Que seus caminhos sejam 100% iluminados e que seu sorriso lindo seja o percursor de muita alegria no coração das pessoas. Desejo eternamente que você seja feliz. Te amo para sempre. Bruno"

Deram um beijo rápido e apaixonado, se abraçaram sentindo o calor um do outro, com os corpos colados Bruno falou num tom baixo, sincero e agradável:

Feliz aniversário 'Cal'. Eu te amo hoje pra sempre!

Olharam-se por alguns instantes e voltaram para a sala após ouvir Igor perguntar onde estava o tio.




Hugo Zanardi

10 coisas que eu odeio em você.



Odeio quando você esquece as coisas
e odeio quando me lembra o que eu esqueci.
Odeio quando falo uma bobeira e você sorri.
Odeio seu olhar no meu
e odeio não parar de te olhar.
Odeio não almoçar com você
e não dividir a sobremesa.
Odeio saber que você não vem,
mas odeio mais saber pra onde você vai.
Odeio saber que eu errei
e odeio que você saiba que eu sei.
Odeio sentir sua falta todos os dias da minha vida
e odeio saber que isso não vai passar.
Odeio o fato de você ser quem você é
e odeio não poder fazer nada pra te ter de volta!
Mas mais que tudo, odeio o fato de não conseguir te odiar,
nem te esquecer, nem te deixar.
05/01/09



Essa é uma semana especial então postei o último texto que escrevi para uma pessoa especial, em que me baseei no poema recitado no filme "10 coisa que eu odeio em você" fazendo um paralelo entre eu e ele (o boy). Na imagem a tradução do poema com créditos para "Crônicas, releituras e outros."
E como sabemos que as traduções nunca são perfeitas fica também o vídeo com o poema recitado em inglês.




Apenas duas palavras: YOURS EVER!!!

SÁBADO À NOITE - Episódio 18 - Na balada.


Após o aniversário de Hugo a galera se prepara para as festas de fim de ano, e o sábado à noite volta a acontecer no ano seguinte. E para começar o ano bem foram fazer um sábado à noite numa balada de São Paulo, Blue Space.

Foram para a balada, Hugo, Doug, Manu, Val, Glaycon, Amanda, João Everton e Paulo um amigo da dança. Foram conversando e bagunçando dentro do trem e metrô, pegaram a fila da balada. Era uma balada gay, então ter duas mulheres na fila chama a atenção. Dirigiram-se diretamente ao balcão do bar e pediram ao batender 8 caipirinhas, ele fez cara de assustado mas pegou as 8 comandas e preparou os drinks. A roda se formou, drinks em mãos, Hugo começou:

Aos amigos, Val?

Dinheiro. Glaycon?

Mulheres. Doug?

Pau. Manu?

Boys. Paulo?

A vocês. Amanda?

A nós.

Arriba, abajo, al centro, a dentro.

Beberam parte de seus drinks em apenas um gole e foram para a pista dançar, tomaram conta de uma área, fizeram uma roda e ali se divertiram, dançaram muito, olharam para as pessoas receberam olhares, hora ou outra um deles tomava um chá de sumiço, logo voltava.

Assistiram ao show das drags, viram os gogo boys, beberam mais e riram muito. Glaycon flertou com uma garota e se beijaram, João beijou uma outra. Hugo, Doug e Manu ficaram zuando com Glaycon dizendo que ele havia beijado uma travesti e nem tinha percebido, durante muito tempo ele ficou em dúvida, até que os amigos desmentiram a história caindo num riso incontrolável.

Dançaram e se divertiram até 4 horas da manhã, quando decidiram pagar suas comandas e partir, pois o caminho até Mauá City era bem longo.



Dorian

Encontro marcado.


<<<<<<<<<<<

Celular tocando. Número não identificado. Pode ser algum trabalho, melhor atender.

Alô!? Quem fala?

Oi! É Bruno?

Sim, até que se prove o contrário eu sou o Bruno, e você??

Oi, meu nome é Carlos, você...

Que Carlos?

Então, você não me conhece exatamente. Ontem nos esbarramos no metrô Sé e por acaso sua agenda ficou comigo...

Ahh, você é o cara do sorri... é... da trombada!

Sim, eu mesmo.

É, percebi que havia perdido minha agenda, então ficou contigo. Que bom!

Ficou sim, e gostaria de encontrá-lo para devolvê-la. Na busca de um telefone vi que tem muitas coisas anotadas e deve precisar muito dela.

Nossa cara, seria muito legal se você fizesse isso por mim, nossa, vai salvar minha vida. Quando posso te encontrar?

Então, hoje após sua aula de piano você tem umas 3 horas até seu próximo compromisso. Podemos nos ver nesse intervalo?

Legal, tenho um secretário agora. hahahaha... desculpe, sim podemos! Onde?

Você estará onde por volta das 18 horas?

No centro, próximo ao Anhangabaú.

Podemos nos encontrar no metrô então?

Sim. Ás 18 horas?

Isso, 18 horas na catraca de saída do metrô Anhangabaú.

Obrigado então... Carlos ?

Sim Carlos.

Até ás 18 horas.

Desligou o telefone e sorriu sozinho. Aquilo seria uma pessoa querendo ajudá-lo ou havia pensado certo e aquele rapaz que tromabara no metrô havia demonstrado por Bruno um certo interesse? Seria um rápido encontro para efetuar apenas a entrega da agenda, ou tomariam um café juntos? O tal do Carlos havia fuçado sua agenda, sabia seus compromissos. Interesse? Voltou ao trabalho, às 18 horas faria o convite para um café, esperava que o rapaz aceitasse, estava com a adrenalina a mil por aquela situação. Achou o sorriso do rapaz muito bonito, apesar dos xingamentos e da reprovação. Conversariam por algum tempo, se o papo fluísse não iria para a academia. Ficaria e conheceria melhor o tal Carlos. Olhou para o relógio ansioso, 11h30, respirou fundo. Faltava muito tempo.


Carlos deixou o escritório e certificou-se que a encomenda se encontrava dentro da bolsa lateral. Não sabia o que aconteceria, mas esperava algo além de uma entrega fria de dois desconhecidos apenas cumprindo um protocolo de boa vizinhança. Tentou se ater aos livros, mas a cada estação olhava janela afora, mesmo tendo ouvido através do operador em que estação se encontrava. Chegou no Anhangabaú às 18h05. Será que reconheceria o rapaz? Sim. Aqueles olhos não fugiram de sua tela mental um único segundo nas últimas horas. Ao chegar na catraca não o encontrou. Atrasado para a reunião ontem, atrasado para a entrega hoje, pensou. E no mesmo instante surgiu por detrás de uma coluna um rapaz com lindos olhos verdes que caminhava em sua direção.

Oi. Carlos?

Sim. Bruno?

É...

Está aqui, sua agenda.

Ah, sim, obrigado! -
Bruno olhava profundamente nos olhos de Carlos que parecia corar levemente, um breve silêncio se instalou, seguido por um riso singelo de um Carlos que não queria enfrentar os olhos do oponente que quebrou o gelo - Vamos tomar um café? Eu pago, é o mínimo que posso te oferecer pela bondade de vir até aqui.

Não, obrigado, não é...

Por favor, não me faça essa desfeita, como você sabe tenho 3 horas para não fazer nada, se você estiver livre e puder me acompanhar eu ficarei extremamente grato.

Carlos aceitou e partiram para um bar simples e pouco movimentado na rua 7 de Abril. Sentaram e conversaram um pouco sobre suas vidas, o que faziam, onde moravam, o que estudavam. Bruno olhava fixamente para o sorriso de Carlos que estava encantado com o brilho nos olhos de Bruno.

Posso te fazer uma pergunta bem indiscreta Carlos?

É... sim pode!

Bruno aproximou o máximo que pode o rosto ao de Carlos e baixou muito o volume da voz: Você é gay?

Carlos ficou completamente encabulado e quase sem reação, visivelmente desconfortado com a pergunta direita e com os olhos arrebatadores que pareciam vencer todas as barreiras mais íntimas da sua alma.

Sim, sou!

Como aquelas palavras haviam saído de sua boca? Com que permissão? Ao menos uma coisa era certa, se essa pergunta havia surgido era por algum motivo especial. Estava explícito, Brno também era gay. Bruno sorriu e piscou. Carlos ficou aliviado, sua dúvida estava certa, sabia o que significava aquilo. Sorriu. Bruno aproximou o rosto mais uma vez.

Vamos pra um lugar mais reservado? Para que eu possa beijar sua boca?

Carlos mais uma vez consentiu inconscientemente. Bruno pagou o que haviam consumido e partiram. Sabiam o que desejavam naquele momento. Sabiam para onde iriam. Só não sabiam o que viria a render esse primeiro encontro. Não se importavam neste momento, queriam apenas curtir como dois homens carregados de excitação costumam fazer. Partiram para o envolvimento, logo essa excitação seria plena e duradoura, bastava apenas uma ajuda de um simples amigos chamado Tempo.




Hugo Zanardi