3.09.2010

Viver a vida.

Hoje acordei pensativo, cansado, depois de uma noite razoavelmente mal dormida, o strees tah tomando conta de mim e por isso me questionei. Não só a mim mesmo mas sim a tudo e a todos, necessariamente a todos. Perguntei:

Porque VIVER?!? Por qual motivo se está vivo? Porque cada um é o que é? Pra que viver tantos anos?

E me coloquei a pensar. Num determinado inicio eram um homem e uma mulher, ok ok eles vieram do nada, do barro, do osso, da ameba... de onde quer que seja num determinado momento havia um homem e uma mulher. Que tiveram filhos, que foram incestuosos, pq só tinha eles, e vieram os tios que também comeram sua irmãs, e suas primas e até a sogra rodou na história, até chegar nos parentes de 5º grau pracima rolou muita rol... muito incesto!

E nessa onda alguma parideira teve 12, 13, 15, 20 filhos. Não tinha um esperto pra já criar o controle da natalidade, só um filho por mulher. Casou com outro? Azar gatinha! Já teve seu pentelho.
Imagine se desde o começo fosse só 1 filho por mulher, o planeta estaria bem mais vazio.

Mas não! Foi nascendo, nascendo, nascendo... os coelhos na  maior disputa, mas o homem foi que foi. E nasce, e todo mundo é lindo quando nasce, igual a você bebê lindo nascendo agora tem mais outros milhões. E pra quê?

Pra ser um mimo, dar um certo trabalho porque chora, e come, e caga, e come, e caga, e chora... não faz outra coisa!

Aprende a andar!!! Que lindo!... Pra quê? Pra tropeçar cair e se machucar. Mas é preciso cair pra aprender a levantar. E aprende a falar, e correr, e gritar e chorar, e pedir, e negar, e xingar... e vai pra escola! Finalmente um pouco de paz. Ir pra escola é preciso, sim! Pra estudar, aprender a contar, a escrever, a digitar, a pensar, a se relacionar, pra aprender a viver.

PRA QUÊ???

Pra estudar mais e entrar na faculdade e seu pai se matar de trabalhar pra pagar seu estudo, ou pra te ajudar a pagar, afinal você é um guerreriro, que arrumou um emprego cedo. Por que é consumista demais e seus pais não podiam bancar seus luxos. Porque você quer sair pra se relacionar, como aprendeu na escola! E você sai no fim de semana, com seu dinheiro, ganho do seu suor, de levantar cedo, de trabalhar naquilo que você mais gosta, mas não tem o retorno que gostaria, ou pior, trabalhar em algo que você odeia.
E ao sair conhece uma garota e se apaixona. Ela é linda, inteligente, gostosa, senta que é uma beleza, e você adora, hoje, porque mal ela sabe que no passado quem sentava bem era você, e adorava.

E vocês se juntam, porque isso é modernindade*, começam a morar juntos, você levando a faculdade como pode, trabalhando demais e tendo que pagar aluguel, água, luz, telefone, internet, e o fogão que está nas prestações. Ok ela também trabalha, que ótimo!

Você acorda, depois de dormir de costas para sua amada, levanta, escova os dentes, caga, toma banho, coisa que outra tantas milhões estão fazendo ao mesmo tempo, outras tantas já fizeram e outras virão a fazer. Você acende a luz sem ao menos imaginar quantas pessoas levantaram, escovaram os dentes, cagaram e tomaram banho antes de você para que, agora, a luz esteja acesa. O mesmo com a TV que funciona 24 horas. E alguém precisa por o filme pra rodar, entrar e sair comercial, o mesmo no rádio, na conveniência, no mercado. Quantas pessoas estão acordadas enquanto você está dormindo?! E pra quê?!? Pra se divertirem, pra sustentarem os filhos, como seu pai fazia por você e como você faz agora que sua mulher está grávida. Mais uma vida pra cuidar, mas um que virá pra terra, e pra quê?! Pra continuar o ciclo? Que ciclo? O ciclo de consumir, e desmatar, e destruir pra construir estradas, prédios, carros, celulares e consumo, consumo, consumo. Pra isso serve o homem e sua história na terra?!?

E você volta pra casa e descobre que sua mulher está te traindo. Mas só foi só um beijo em um cara!? Não importa querido, se ela saiu com alguém que não é você, já é corno. A menos que você saiba, e aí já entra de novo na modernidade*. Mas você é corno, e ela é falsa, ou qualquer outro xingamento que desejar, digo falsa por sustentar uma vida de mentiras, e pra que sustentar essa situação? Pra que mentir? Por que viver com alguém que não ama? Por que fazer alguem sofrer?!

E você sofre, porque a amava. Será mesmo que amava?! O que é o amor?** E você viveu muitos anos, e não sabe até hoje se realmente a ama, e não quer se separar para não afetar a criança, e ainda tem o cachorro. E você também passa a viver uma vida de mentiras, e o "respeitar e amar", falado pelo padre ou apenas fixo nos nossos conceitos, de nada serve pois o desrespeito é mútuo.

E sua filha cresce, e você trabalha pra cuidar dela, e ela casa, e vem o neto. Mais uma criança nessa terra pra quê?!? E você fica cada dias mais velho e cansado e inútil. Você não tem a disponibilidade de uns nem a vontade de outros senhores para ir num baile, num barzinho, numa atividade voltada pra sua idade, e vai vivendo o seu fim, cada dia é uma reprise do anterior e assim você vai até que chega o seu fim. E você morre!

E pensar na morte? Já parou pra pensar nela?! Só temos uma certeza nessa vida, que ela virá! E pergunto: Porque?!? Por que vivemos e fazemos tantas coisas para no fim morrer?! E tudo que você fez e viveu, serviu de quê? Tantas histórias, tantos amores, tantas mentiras, tanto sofrimento e pra quê? Pra ser simples assim? Morrer! Tão sem explicação. E viver então? Tão sem explicação quanto a morte. Sim você viveu, aproveitou, se divertiu, conheceu pessoas, se apaixonou, gritou, vibrou, trabalhou, consumiu, destruiu o planeta, destruiu seu corpo, e tudo isso, foi contigo pra dentro de uma caixa que não será aberta novamente, e se caso for você não sairá de dentro dela sorrindo.

E você viveu! Sim, viveu?!? E pra quê viveu? Eu te pergunto: pra quê?!?





*Esse tema merece um post só seu;
 ** Esse também...
Hugo Zanardi

3.05.2010

Nada surge ao acaso.

Ontem, quinta feira, estive participando de uma audição para trabalhar num espetáculo musical. Acerca de outros acontecimentos estava num nível de strees absurdo, e com o corpo muito cansado. Em meios a cigarros, respirações ofegantes, dores nas pernas, estômago, cabeça martelando e vontade de chorar sentei na calçada com meu celular e fui ver as atualizações do meu Twitter, dentre as pessoas que sigo o @Digestivo me surpreendeu com o post "[Encaminhamento] Receita para se esquecer um grande amor: http://bit.ly/cg4rKz".


Olhei para o link, pensei um instante e cliquei. Queria saber qual era essa receita, afinal, no mesmo instante eu pensava em alguém muito especial. Sabe aquela pessoa que você está com muita vontade de ligar, mas não tem coragem, ou não pode ligar?! E o momento em questão ajudava, eu queria ouvir sua voz, mas não podia. Li o texto com lágrimas nos olhos e dei RT (retweet) na minha página.


Eu amo demais meus amigos, não canso de dizer isso, não canso de sentir isso e sempre que olho pra eles me sinto o ser mais iluminado por ter tantas pessoas incríveis ao meu lado, tantos sorrisos, tantos abraços, tantos TUDO em pessoas que me fazer ser feliz.


Mas as vezes sinto falta de alguém pra preencher aquele espaço reservado no peito. Lugar onde alguém já esteve por sinal, e parece que não quer sair. Falta de, naquele momento de tensão, ligar pra alguém que vai dizer palavras extras, sentimentos extras, que vai estar junto mesmo estando longe!


Fecho esse post com o trecho final do texto indicado, escrito por Marcelo Maroldi, que diz com clareza o que eu gostaria de dizer e não sabia, até este momento, como:


"Lembra da música da Elis? Vou querer amar de novo e se não der eu não vou sofrer...? Preciso te dizer a verdade: se isso acontecer, eu vou sofrer sim, meu coração só existe para amar de novo, espero que você entenda. Eu sigo a minha vida por aqui, você continue a sua por aí. Se consegui a receita para se esquecer de um grande amor? Não, parece que isso não existe mesmo. A minha é seguir em frente, então, e quando não der, chorar, não há problema nenhum isso, quem aprende a amar, aprende a chorar também (Paulinho da Viola, "Amor Amor") . Eu aprendi, pratiquei contigo, jamais te esquecerei.
Cantemos a canção da vida,/ na própria luz consumida...
(Mario Quintana, "Inscrição para uma lareira")"

Hugo Zanardi