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9.30.2009

roteiro filme - 3



Karina tocou a campainha do apartamento. Estava ansiosa. Rogério abriu a porta com um sorriso sincero no rosto, era bom ver a amiga.

Oi Kari. Tudo bem linda?

Oi Gê, precisava muito conversar com você. Vou dormir aqui hoje tá?

Tudo bem. Mas tem algum problema? O que é tão urgente assim? Vamos na varanda, fumamos um cigarro e você me conta tudo.

Então Gê – ela deu uma tragada longa no cigarro, olhou em direção a nada por um momento – eu acho que estou grávida amigo.

Nossa!! Que incrível... espera aí. Grávida de quem?! Como assim? Tem certeza? Quando isso?

Calma Gê. Então... não tenho certeza, ainda não fiz o teste, mas está atrasada 15 dias já e eu sempre fui super regular. Como se fica grávida você sabe muito bem, nem preciso explicar.

Mas você não tem namorado. Anda transando com qualquer um sem camisinha?

Não foi qualquer um. Foi Claudio gogo boy. A gente saiu aquele dia depois da balada, e acabou rolando um sexo muito intenso e no meio da loucura nem lembramos de pôr camisinha e pra ajudar ele ainda... enfim.

Nossa Kari, mas não dá pra esquecer isso! Mas e aí, o que você vai fazer?

Eu vim aqui justamente pra te perguntar isso.

A primeira coisa a fazer é o teste né, pra ter certeza que você está mesmo grávida. Depois a gente parte para o momento de contar pra ele.

Você é louco? Contar pra ele praque?

Como assim pra que? Ele é o pai do seu filho.

Mas você acha que ele vai asumir? Além de gogo ele também é garoto de programa.

Porque todo mundo tem mania de dizer que gogo boy é garoto de programa também?

Não disse que todos são, eu disse que o Claudio é.

Sério. Ele é mesmo?

É sim. Porque você parece entusiasmado com isso?

Porque eu estou escrevendo um roteiro pra um filme e preciso falar com uns garotos pra ouvir umas histórias e tals. Você podia chamar ele pra vir aqui em casa qualquer dia, aí eu converso com ele pra começar a escrever, nossa vai ser ótimo...

Gê! Você vai me ajudar ou vai ficar pensando no Claudio?

Ai desculpa Kari, mas algo cair assim no nosso colo quando mais precisamos não é tão fácil. Mas sim vou te ajuda. Amanhã cedo vamos passar na farmácia. Mas agora eu quero saber como foi a noite de vocês? Me conta tudo.

Os dois amigos conversaram durante muito tempo sobre muitos assuntos, até que resolveram ir deitar-se para no dia seguinte passar na farmácia antes de Rogério ir para o jornal entregar e finalizar sua coluna da semana.


Hugo Zanardi

9.23.2009

roteiro filme - 2

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O dia para Rogério passou rápido e intenso, muitas idéias borbulhando a história correndo em sua mente. Chegou em casa por volta de 18h e sentou-se em frente se companheiro de todas as noites, era o momento de criarem juntos, o que seria uma das melhores histórias já criadas por ele. Fez um café, ligou o som e sentou-se. Olhava para a tela, bebia seu café, suspirava. A história era muito boa, ao menos para si, e agora que chegara o momento de começar a escrevê-la... nada! As palavras não vinham, seus dedos não obedeciam e nada era digitado. Abriu a pasta onde havia arquivado a base de sua idéia. Leu, releu, treleu... nada!

Pensou um pouco e refletiu, se em seu roteiro Junior precisaria de relatos de garotos de programa para fazer o livro nada mais justo que ele colher alguns relatos desses.

Fez uma busca sobre o assunto na internet, encontrou algumas poucas linhas em notícias antigas, nada de relevante. Encontrou um vídeo erótico, mas os relatos pareciam demasiados falsos. Porem essa iniciativa já lhe deu alguma inspiração para começar:

" Fade in Cena da reunião 1

Junior saindo de casa, bolsa lateral no ombro, dia claro, por volta de 14 horas. Junior deverá aparentar 25 anos, rapaz muito bonito, corpo bom, cabelos escuros.

Corte para trânsito de São Paulo. Junior dentro do ônibus demonstra certo entusiasmo.

Corte para chegada em uma recepção:

ATENDENTE - Pois não?!

JUNIOR - O Sr. Augusto me espera.

ATENDENTE - Só um minuto por favor! - close no telefone, ela desliga e sorri - pode entrar.

Câmera segue Junior por trás que abre uma grande porta. O escritório é simples, quadros na parede, uma mesa com poucas coisas e estantes com muitos livros demosntrando nunca terem sido tocados.
Corte, abre câmera em sua frente

JUNIOR - Boa tarde Sr. Augusto!

SR. AUGUSTO - Boa tarde Junior, sente-se e vamos rápido ao assunto. Eu o chamei aqui porque conheço e confio no seu trabalho. A editora quer um livro que mostre depoimentos reais e fatos de um cotidiano, mas tem que ser algo intrigante, que mexa com as pessoas e não as faça desgrudar os olhos do livro nenhum instante, algo não visto e nem falado. Confio em você - Sr. Augusto tem uma fala energética, um senhor com cabelos brancos e bem vestido.

Fade out Cena da reunião 1"

Rogério já conseguia pensar nas locações, até mesmo nos atores, mas precisava se conter, talvez não conseguisse o Antonio Fagundes para o Sr. Augusto. Mas seria perfeito!
Interfone tocou, sua amiga Karina estava na porta. Já beiravam 22 horas, nossa como havia demorado para escrever tão pouco! Mandar a amiga subir. O que poderia ser tão tarde?!

Salvou sua primeira cena, fazer mais café, acender um cigarro e conversar com a amiga, era o momento de descansar um pouco.


Hugo Zanardi

9.16.2009

roteiro filme - 1


Rogério, 32 anos, escritor. Mora sozinho no bairro da Bela Vista, um apartamento aconchegante. Tem dois livros lançados com uma vendagem boa, algumas peças de teatro escritas, e é colunista de uma jornal de médio porte na cidade. Recentemente caminhando pelas ruas de São Paulo, numa madrugada quente onde o cérebro insiste em funcionar e o sono não quer aparecer, decidiu escrever o roteiro para um filme com temática homossexual. Por ser essa sua opção sexual e pela pequena quantidade de filmes que abordam o tema resolveu que iria lançar um roteiro e buscar apoio, e investimento para pôr o filme para rodar.

Subindo a Rua Augusta e analisando a noite paulistana começou a criar uma base para seu filme. Será que seria boa?

Um jornalista. Junior seria seu nome. Junior é um nome muito comum em estórias infantis, mas Rogério gostava do nome. O jornalista Junior seria seu protagonista. Junior teria que escrever uma matéria para uma revista mensal sobre garotos de programa. Ou teria que escrever um livro? O personagem deveria se envolver com o mundo dos garotos de programa por um longo tempo, para que muitas coisas pudessem acontecer. Então seria um livro. Um livro de depoimentos onde o jornalista Junior iria colher esse material e publicar as histórias reais. E durante essas entrevistas ele se envolveria com um dos garotos, firmando uma relação bonita e duradoura. Será? Talvez ficasse muito "Uma linda mulher". E se o garoto de programa morresse?... Não, muito "Moulin Rouge". Melhor não pensar agora no fim, e construir o roteiro, o fim virá, sempre vem!

Chegou em casa satisfeito com sua nova história, se bem escrita e bem dirigida poderia ser um filme muito bem visto. Precisaria começar a pesquisar, conversar com pessoas, fazer todo um levantamento do trabalho. Sentou em frente ao seu notebook e escreveu sua idéia, armazenou o arquivo em uma pasta denominada "roteiro filme". Foi deitar-se, a caminhada havia sido boa para refrescar o corpo e inspirar a mente. No dia seguinte teria muito trabalho pela frente e precisava estar disponível. Deitou-se e parte de sua nova criação já rodava em sua tela mental, ao acordar escreveria todas suas idéias, desde as mais absurdas até as mais brilhantes para que nada se perdesse.

Adormeceu com um singelo sorriso no rosto.

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Hugo Zanardi