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1.26.2010

Retrospectiva 2009


 É isso galera, todos achavam que eu tinha abandonado este bolg, mas nada disso, cá estou eu novamente. Bem atrasado para fechar 2009 e abrir 2010, porém antes tarde do que nunca!

Fazer backup das imagens do meu pc e pensar nas mudanças que se encaminham para o ano que chega foi algo muito intenso. Sugiro!

Então o post de hoje é para agradecer. Sim, agradecer o ano que se foi. Antes de pedir precisamos agradecer.

Agradeço por tudo que aconteceu, pelos testes que fiz e não passei, mas aprendi muito. Pelos testes que passei e não deram certo, massagearam meu ego e ajudaram em minha estima. Ao menos por algum tempo.

Agradeço aos meus pais, apesar de nossa relação não ser boa, são meus pais e os amo incondicionalmente. Mesmo que eles não saibam disso!

Sabemos que minha maior gratidão aqui expressada será aos amigos Essas simples pessoas que tanto estimo, que sempre me apoiam e levam meu apoio em cada passo. Pessoas com as quais me sinto realmente mais humano, me sinto um apaixonado, me sinto amado. Pessoas que vi sorrir, chorar e que quero estar ao lado sempre.

Não quero citar nomes, afinal não é necessário, quando se é possível chamar essa pessoa de amigo. O nome se torna quase que apenas um nome, perto do sentimento que envolve a figura representada por esse nome. Confuso né?!

Agradeço a cada noite, cada tarde, cada mensagem, cada telefonema, cada auxílio, cada abraço, cada sorriso, cada foto. Se cada um de vocês conseguisse imaginar o quanto são importantes pra mim. Cada um ao seu modo, com sua personalidade, suas manias, seus jeitos. Seja na casa ao lado, ou do outro lado do mundo. Meu coração bate muito forte e me sinto feliz em poder chamá-los de amigos!

Podem passar quantos anos forem, mas sei que 2009 ficou marcado pra sempre em mim. Outros podem ficar também, mas esse será o marco onde uma paixão muito grande por vocês se iniciou.

Agradeço também a todos os affers, casinhos, namorinhos e tentativas frustradas de relacionamento que por mim passaram. Me fizeram crescer de alguma forma e provaram para mim mesmo que algo que está dentro de nós, enraizado, não morre jamais, não importa a distância, não importa o tempo... não importa o filhodapu... ops, desculpe!!! Pra quem entendeu bem, pra quem não entendeu... bem também! Mas ainda sim obrigado!

Agradeço a mim por ter vivido este ano, enfrentado todas as barras de cabeça erguida, ou não. Por ter esperado cada movimento da terra para dar o passo certo, e muitas vezes ter me apressado, ou esperado demais. Agradeço por tudo que aprendi, pelos erros, ou pelos acertos. Agradeço aos filmes que vi, as músicas que escutei e também as que senti, as águas que rolaram e voltaram para o mar ou que do céu vieram e o mesmo destino tiveram. Agradeço aos dias de sol que me fizeram suar e chover para mim mesmo e quere me aquecer nos dias de chuva. Me aquecer comigo mesmo! Sim uma cia fez falta, e agradeço também essa falta que me fez pensar em mim, gostar mais de mim, descobrir novos defeitos e... e outros defeitos a mais também!

E agradeço a todos, realmente a todos que passaram por meu caminho direta ou indiretamente, pois cada bater de asas dessas borboletas mudaram um mundo dentro de mim.

E que venha 2010!!!

Hugo Zanardi

8.19.2009

Uma nova aventura - parte 1

Carlos e Bruno estavam sentados em uma mesinha próximo ao fim do corredor na entrada da pista de dança no Santa Sara. Carlos bebia uma Cuba Libre e Bruno uma Marguerita. Conversavam sobre como haviam passado aquela sexta feira. Sem novidades, tudo calmo e normal. Típica sexta.

Bruno havia buscado Carlos no escritório, foram ao cinema, viram uma comédia romântica. Após o filme comeram no McDonalds e resolveram ir até o bar.

Conversavam e riam bastante, decidiram ir dançar um pouco. Pediram ao barman uma cerveja para cada e foram para a pequena pista no fundo do estabelecimento.

Enquanto dançavam foram surpreendidos por um rapaz que entrava a pista. Cabelos castanhos com luzes, corte moicano, rosto limpo, olhos verdes e boca bem carnuda, vestido numa calça jeans com recortes e uma camiseta pólo com um "Z" costurado no peitoral. Peito saliente e totalmente harmonioso com os braços definidos e a cintura bem trabalhada ornado com as coxas firmes agarradas ao jeans.

Os olhos de ambos mediram o rapaz em todas sua belas curvas e se olharam.

Bonito ele né 'mor'?!

Muito. Vamos beijar ele? Hahahaha

Hahahahaha... 'mor'?... você teria coragem?

De beijarmos os três? Juntos?

Sim.

Ai 'Cal', não sei, acho que não rola. Porque?

Ah, porque eu tenho vontade de fazer isso.

Nossa! Então quer dizer que eu...

Você nada 'mor'! É uma vontade que tenho. Só isso! Vontade de beijar dois caras, simples assim!

Nossa 'Cal' não sei não. Acho que não tem nada a ver, eu já tenho você, não preciso de mais um.

Foi só um pensamento alto, uma vontade de viver uma aventura diferente. Você nunca teve essas vontades?... Ah, deixa pra lá vai!

Mas até parece que ele aceitaria.

Eu acho que aceitaria, até porque ele já olhou pra cá umas duas vezes.

E você está bem de olho né?... Você quer mesmo?

Não!... queria... quero! Eu não vou deixar de gostar de você 'mor', só porque vivi uma aventura, ainda mais junto com você.

Olha pra mim! Nos meus olhos. Você me ama?

Sim. Eu te amo Bruno!

Eu também te amo demais 'Cal'! Vou ao banheiro... chega nele. Vou fazer isso por você. Vamos viver essa juntos.




Hugo Zanardi

8.12.2009

Bebendo demais.


As 23 horas o Kadett azul buzinava em frente a casa de Carlos. Desceu agitado, seguido por Caroline que tanto queria conhecer o cunhado.

Bruno não estava no seu melhor humor pois estava indo para a balada somente para agradar Carlos, mas tratou a cunhada o melhor possível.

Partiram os dois. Entraram na Radial Leste praticamente em silêncio e assim seguiram até o centro, onde pegaram Tito e Caio em frente a Kit que moravam na República, agora Bruno parecia não falar a meses. Carlos estranhou pois a minutos atrás o silêncio reinava dentro do carro. Chegaram na Blue Space por volta de 00h20.

A fila para entrar durou apenas 2 minutos que Bruno ficou de mãos dadas com Carlos conversando com os amigos. Entraram e Bruno foi direto ao bar:

Uma caipirinha de pinga.

Nossa! Vai começar bem já?

Vou!

Nossa! O que foi?

Você vai beber 'Cal'?

Não.

Então vamos pra pista!

Carlos sentiu vontade de socar Bruno por não ter respondido sua pergunta, mas respirou fundo e seguiu o namorado.

Na pista os corpos moviam-se no ritmo da batida. Carlos recebia muitos olhares de outros caras e isso deixava Bruno super irritado, mas tentava fazer de conta que não se importava. Bruno foi novamente ao bar. Outra caipirinha. Voltou pra pista, beijou Carlos e dançaram com os corpos colados causando inveja nos olhos que recaiam sobre um casal tão bonito e envolvente.

Assistiram aos shows das Top Drags Dani Colt, Layla Ken, Thalia Bombinha, Pandora Bolt e Victoria Principal, apresentados por Silvetty Montilla. Divertiram-se muito e riram de se dobrar.

Mais uma caipirinha e dança, muita dança. Tito e Caio eram grandes amigos de Bruno e muito engraçados também. Carlos adorava dançar e sair com os novos amigos.

A diversão da noite cobriu a insatisfação de Bruno, e a bebedeira ajudou.

Quarta caipirinha, pagar a comanda, deixar os amigos de volta na Kit no centro. Carlos dormiria com Bruno em sua casa, mas agora era ele quem estava bem irritado!


Hugo Zanardi

7.22.2009

A cama vazia.


Carlos abriu os olhos e mirou a janela. Uma luz fraca e uma sensação fria chegavam até ele, estava sozinho na grande cama. Olhou para o lado, respirou fundo, passou a mão pelo espaço vago no colchão. Levantou-se e foi até a janela. O céu estava cinza e nuvens pesadas prediziam chuva. Suas lágrimas certamente viriam dos deuses. Cheirou o ar. O costumeiro cheiro de café não lhe invadiu as narinas, olhou mais uma vez pela janela. Era a primeira vez que apreciava um céu de um cinza tão intenso. A cidade inteira estava tomada pelo mesmo sentimento. Foi até o banheiro, escovou os dentes olhando-se no espelho, reparou as olheiras que o acompanhavam e as marcas de cansaço.

Dirigiu-se para a cozinha, não tomaria café mais uma vez. Pegou uma caixinha de suco e derramou seu conteúdo em um copo que estava sob a pia. A cozinha estava uma bagunça, à dias sem limpar. Louça acumulada, óleo impregnado nas paredes e nas bancadas antes tão bem cuidadas, iluminadas e higiênicas. Era como se o próprio Catrina houvesse devastado aquela pobre paisagem interna. Olhou com desgosto para o acumulo de sujeira, sentiu um misto de asco e ódio em seu peito e atirou o copo contra a parede, criando um novo foco de imundice.

Foi até a sala e sentou-se na poltrona em frente a TV. Na sala a cena se repetia. Dezenas de pacotes de pipoca, pacotes de salgadinhos, potes vazios de sorvete invadidos por pequenas formigas. Havia dispensado a empregada. Queria ficar sozinho, pensar, refletir. Não imaginava que seria assim. Não tinha vontade de nada. Não limpava, mal comia, e dormira mal nas últimas 4 noites.

Estendeu o braço até a mesinha ao lado da poltrona e alcançou o porta retratos prateado que continha dois sorrisos. Dois homens sorrindo. Cabeças encontradas olhando para frente e sorrindo com vigor. Um deles tinha olhos verdes intensos e profundos, duas esmeraldas que saltavam do papel fotográfico e quase podiam tocar-lhe a face. Ele e Bruno. A foto que Bruno elegera como a mais linda dos dois juntos enfeitava a sala, dando um ar alegre e descontraído aquela simples mesinha.

Agora essa mesma foto era o motor gerador de lágrimas que iniciavam lentas e discretas, traziam sentimentos e lembranças ao coração e à mente, que faziam aumentar o choro e a saudade. Saudade de Bruno que não estava mais ali, que o havia deixado, sentia sua falta cada instante, tanto tempo juntos, tanto amor dispensado, e agora tanta dor em seu peito, a casa vazia, a distância de todos. Ele se foi mas Carlos ficou, o sentimento ficou e permaneceria eternamente, tentou conter o choro, quis atirar longe o retrato, mas o máximo que conseguiu foi tocá-lo com os lábios e beijá-lo tremendo, querendo que o calor de Bruno surgisse ali, naquele momento trazendo novamente a alegria para aquela casa, para que o sol, ali, brilhasse mais uma vez. A chuva caiu, forte, e presente.

Um clarão cruzou o céu. Um relâmpago caiu forte e estrondoso. Carlos sobressaltou da cama, transpirando, assustado e chorando, olhou para os lados tentando entender o que acontecia. Olhou para o lado da cama. Vazia, chorou mais. Fitou o relógio e apurou a visão. 3 da madrugada. A chuva castigava o telhado. Acalmou-se e pegou o celular, discou para Bruno. Caixa postal. Lembrou-se da viagem, deveria estar ainda no avião ou próximo já de pousar. Respirou, se acalmou. Ele voltará em 5 dias. São apenas 5 dias. Discou novamente. Caixa postal, a mensagem personalizada, o sinal sonoro:

Bruno, eu te amo muito e quero ficar sempre ao seu lado. Já estou com saudades. Te amo pra sempre!

Desligou o celular, voltaria a dormir e quando o sol estivesse no céu sabia que seu amor ligaria. Estava mais calmo, foi apenas um sonho, ainda era amado por Bruno, sabia disso, sentia o mesmo por ele.




Hugo Zanardi

7.08.2009

Festa surpresa.


Carlos estava muito irritado naquela quinta feira. Seu aniversário e Bruno iria viajar à trabalho.

Oi Nalu, você me ligou?... Obrigado irmã do meu coração! Eu também te amo muito... ah, não sei ainda, acho que vou pra balada com meus amigos... porquê?? O meu querido namorado vai viajar pra Campos, HOJE, para trabalhar... tá eu sei que é trabalho, mas ele podia mandar o assistente e ir amanhã... é o segundo aniversário meu que estamos juntos e ele vai me dar uma dessa?!... ah, não sei... eu acho que estou a fim de sair mesmo... eu também estou com saudades do Igor... ah, não vale chantagem... tá bom então eu vou, até a noite irmã!

Passou o restante do dia um pouco menos irritado, recebeu algumas mensagens, e poucos telefonemas, sua companheira de escritório pagou-lhe o almoço no McDonald's. Havia recebido uma mensagem de Bruno ao bater da meia noite que dizia apenas
"Feliz Aniversário", mas Carlos sabia o quanto de amor aquelas simples palavras carregavam. Saiu do escritório e rumou para o apartamento de sua irmã mais velha, Ana Luiza conforme haviam combinado pelo telefone. Tocou a campainha, via pelo vão da porta uma simples claridade, provavelmente Ana estava assistindo a novela das 7. Ouviu a irmã anunciando ao pequeno Igor:

Vamos abrir a porta pro tio?

PARABÉNS PRA VOCÊ, NESSA DATA QUERIDA, MUITAS FELICIDADES, MUITOS ANOS DE VIDA!

Na repetição da música o coro virou uma grande zuada misturando o parabéns a piadinhas e gritos, pulos e acenos de mão, a sala da casa de Nalu estava tomada por balões coloridos que dividiam espaço com seus amigos, irmãos, sobrinhos e ao lado da mesa, os olhos verdes mais penetrantes e irreconhecíveis: Bruno.

Ele não havia viajado, tramou tudo para que a festa pudesse acontecer. Carlos nem duvidou dos planos. Sobre a mesa um lindo bolo de chocolate com morangos. A festa tomou conta da casa sendo invadida por música, conversas e pessoas que abraçavam Carlos e lhe desejavam toda sorte de felicidades. Cortou o bolo. Segurou o primeiro pedaço sobre o pratinho nas mãos, seus olhos pousaram sobre os olhos de Bruno, respirou fundo e percebeu um discreto aceno de cabeça que lhe dizia "não". Sorriu. Bruno era sempre muito compreenssivo, entregou o pedaço para a irmã que cedera o apartamento, que fora também cúmplice de toda a trama. O bolo começou a ser fartamente distribuído, e as pessoas conversavam tentando sobressair o som alto que vinha do rádio. Um novo aceno de cabeça para Carlos. Bruno indicava a varanda. Uma cortina vinho cobria a porta que dava o acesso, atravessaram-na e estavam do lado de fora, todos estavam ocupados com o bolo não dariam falta dos dois por alguns minutos. Tempo suficiente pensava Bruno. Não podiam dar bandeira na frente do pai de Carlos nem dos cunhados. Bruno tinha um pacote nas mãos. Olhou para Carlos nos olhos e entregou o embrulho sem nada dizer. Apenas sorriu.

Uma camiseta vermelha com um coração tribal em silk e um cartão com balões coloridos contendo a palavra PARABÉNS na capa, dentro as letras prateadas diziam:

"Você tem um brilho mágico todo especial e por isso merece...
toda felicidade do mundo"

Em letras bonitas e redondas escritas a mão com uma caneta preta o interior do cartão estava repleto de palavras:

"Mais uma ano que passou, um novo ano que está vindo, estou ao seu lado e quero permanecer. Te desejo as maiores felicidades que Deus puder te enviar, e todas outras que eu puder lhe proporcionar. Que seus caminhos sejam 100% iluminados e que seu sorriso lindo seja o percursor de muita alegria no coração das pessoas. Desejo eternamente que você seja feliz. Te amo para sempre. Bruno"

Deram um beijo rápido e apaixonado, se abraçaram sentindo o calor um do outro, com os corpos colados Bruno falou num tom baixo, sincero e agradável:

Feliz aniversário 'Cal'. Eu te amo hoje pra sempre!

Olharam-se por alguns instantes e voltaram para a sala após ouvir Igor perguntar onde estava o tio.




Hugo Zanardi

7.01.2009

Encontro marcado.


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Celular tocando. Número não identificado. Pode ser algum trabalho, melhor atender.

Alô!? Quem fala?

Oi! É Bruno?

Sim, até que se prove o contrário eu sou o Bruno, e você??

Oi, meu nome é Carlos, você...

Que Carlos?

Então, você não me conhece exatamente. Ontem nos esbarramos no metrô Sé e por acaso sua agenda ficou comigo...

Ahh, você é o cara do sorri... é... da trombada!

Sim, eu mesmo.

É, percebi que havia perdido minha agenda, então ficou contigo. Que bom!

Ficou sim, e gostaria de encontrá-lo para devolvê-la. Na busca de um telefone vi que tem muitas coisas anotadas e deve precisar muito dela.

Nossa cara, seria muito legal se você fizesse isso por mim, nossa, vai salvar minha vida. Quando posso te encontrar?

Então, hoje após sua aula de piano você tem umas 3 horas até seu próximo compromisso. Podemos nos ver nesse intervalo?

Legal, tenho um secretário agora. hahahaha... desculpe, sim podemos! Onde?

Você estará onde por volta das 18 horas?

No centro, próximo ao Anhangabaú.

Podemos nos encontrar no metrô então?

Sim. Ás 18 horas?

Isso, 18 horas na catraca de saída do metrô Anhangabaú.

Obrigado então... Carlos né?

Sim Carlos.

Até ás 18 horas.

Desligou o telefone e sorriu sozinho. Aquilo seria uma pessoa querendo ajudá-lo ou havia pensado certo e aquele rapaz que tromabara no metrô havia demonstrado por Bruno um certo interesse? Seria um rápido encontro para efetuar apenas a entrega da agenda, ou tomariam um café juntos? O tal do Carlos havia fuçado sua agenda, sabia seus compromissos. Interesse? Voltou ao trabalho, às 18 horas faria o convite para um café, esperava que o rapaz aceitasse, estava com a adrenalina a mil por aquela situação. Achou o sorriso do rapaz muito bonito, apesar dos xingamentos e da reprovação. Conversariam por algum tempo, se o papo fluísse não iria para a academia. Ficaria e conheceria melhor o tal Carlos. Olhou para o relógio ansioso, 11h30, respirou fundo. Faltava muito tempo.


Carlos deixou o escritório e certificou-se que a encomenda se encontrava dentro da bolsa lateral. Não sabia o que aconteceria, mas esperava algo além de uma entrega fria de dois desconhecidos apenas cumprindo um protocolo de boa vizinhança. Tentou se ater aos livros, mas a cada estação olhava janela afora, mesmo tendo ouvido através do operador em que estação se encontrava. Chegou no Anhangabaú às 18h05. Será que reconheceria o rapaz? Sim. Aqueles olhos não fugiram de sua tela mental um único segundo nas últimas horas. Ao chegar na catraca não o encontrou. Atrasado para a reunião ontem, atrasado para a entrega hoje, pensou. E no mesmo instante surgiu por detrás de uma coluna um rapaz com lindos olhos verdes que caminhava em sua direção.

Oi. Carlos?

Sim. Bruno?

É...

Está aqui, sua agenda.

Ah, sim, obrigado! -
Bruno olhava profundamente nos olhos de Carlos que parecia corar levemente, um breve silêncio se instalou, seguido por um riso singelo de um Carlos que não queria enfrentar os olhos do oponente que quebrou o gelo - Vamos tomar um café? Eu pago, é o mínimo que posso te oferecer pela bondade de vir até aqui.

Não, obrigado, não é...

Por favor, não me faça essa desfeita, como você sabe tenho 3 horas para não fazer nada, se você estiver livre e puder me acompanhar eu ficarei extremamente grato.

Carlos aceitou e partiram para um bar simples e pouco movimentado na rua 7 de Abril. Sentaram e conversaram um pouco sobre suas vidas, o que faziam, onde moravam, o que estudavam. Bruno olhava fixamente para o sorriso de Carlos que estava encantado com o brilho nos olhos de Bruno.

Posso te fazer uma pergunta bem indiscreta Carlos?

É... sim pode!

Bruno aproximou o máximo que pode o rosto ao de Carlos e baixou muito o volume da voz: Você é gay?

Carlos ficou completamente encabulado e quase sem reação, visivelmente desconfortado com a pergunta direita e com os olhos arrebatadores que pareciam vencer todas as barreiras mais íntimas da sua alma.

Sim, sou!

Como aquelas palavras haviam saído de sua boca? Com que permissão? Ao menos uma coisa era certa, se essa pergunta havia surgido era por algum motivo especial. Estava explícito, Brno também era gay. Bruno sorriu e piscou. Carlos ficou aliviado, sua dúvida estava certa, sabia o que significava aquilo. Sorriu. Bruno aproximou o rosto mais uma vez.

Vamos pra um lugar mais reservado? Para que eu possa beijar sua boca?

Carlos mais uma vez consentiu inconscientemente. Bruno pagou o que haviam consumido e partiram. Sabiam o que desejavam naquele momento. Sabiam para onde iriam. Só não sabiam o que viria a render esse primeiro encontro. Não se importavam neste momento, queriam apenas curtir como dois homens carregados de excitação costumam fazer. Partiram para o envolvimento, logo essa excitação seria plena e duradoura, bastava apenas uma ajuda de um simples amigos chamado Tempo.




Hugo Zanardi

6.24.2009

Encontro inesperado


Carlos estava tendo uma quinta feira muito intensa, muitas provas na faculdade e pra ajudar o motoboy da empresa se envolveu num acidente logo cedo, sendo o mais jovem do escritório acabava sendo escalado para fazer os trabalhos na rua, banco e afins. Aproveitava para estudar o máximo que podia, fosse na fila do banco, no ônibus ou no mêtro, em pé, sentado não importava. Parecia ter o dom de ler andando, andando e lendo, é preciso muita aptidão para trabalhar, estudar e não enlouquecer.

Porque não escolheu gastronomia, ou enfermagem como sugeriram os pais. Contabilidade! Onde estava com a cabeça quando assinalou essa opção? Tantas contas, números, sobe, desce, sobra um, noves fora... Mas era o melhor de sua classe, só o Thiago e a Amanda tiravam notas melhores que as suas, porém eles não trabalhavam, era obrigação passarem o dia todo estudando e serem ótimos alunos.

Estação Sé. Transferência da linha vermelha para linha azul, 14 horas, movimento regular. Lia um estudo sobre estatística, cabeça baixa mas atento ao redor. Algumas pastas na mão, a apostila de estudos e mais dois livros. Uma dor no ombro esquerdo, perdeu o equilíbrio, os papéis todos foram ao chão:

Puta que pariu! Porra meu você não olha pra onde anda não cara??

Ai, ai, me desculpa, perdão mesmo, eu... foi sem querer, foi mal aí...

Alguns livros e papéis se misturaram aos seus, um outro rapaz abaixava-se par pegar os papéis, o óculos escuro foi ao chão, estava meio atordoado, pegava até coisas que pertenciam a Carlos, pôs a mão sobre um livro. Carlos pegou no mesmo instante. Suas mãos se tocaram e o rapaz olhou para Carlos. Nunca havia visto olhos tão bonitos em toda sua vida, pensava que só os modelos tinham olhos tão perfeitos. Foi um olhar meio de lado apenas para confirmar que aquele livro não o pertencia. Carlos sorriu. Sentiu que o rapaz corava.

Puxa cara desculpa mesmo mesmo, estou super atrasado pra uma reunião, perdão... é... desculpa... tipo... falou aí... até mais... tchau...

O rapaz desceu as escadas correndo, como se fosse perder o último avião, no fim da escada ele olhou para trás e por mais que Carlos não quisesse acreditar havia olhado para ele. Aqueles olhos profundos encontraram com o seu. O rapaz virou, pos o óculos e entrou no vagão do mêtro, seguiu sentido Jabaquara. Carlos entrou no mêtro seguinte. Sentou-se e começou a arrumar seus papéis, ver se estava tudo em ordem. Sim, tudo ok, a não ser pelo fato daquilo. O que seria exatamente?

Uma encadernação preta com um sintético a exemplo de couro. Uma agenda. O rapaz dos olhos claros. Deve ter esquecido de pegar, ou se confundiram... ou.. ele disse 'até mais'... será que? Não pode ser. Muitos pensamentos passavam pela cabeça da Carlos, que agora parecia ter esquecido dos estudos, pensava apenas naqueles lindos olhos.

Carlos é homossexual sim, não tem trejeitos, e teve poucas relações com outros homens. Sentiu algo de estranho por aquele rapaz. O modo como o olhou, o fato de ter olhado pra trás, o leve sorriso que tinha no rosto apesar do embaraço causado pelos palavrões expelidos por Carlos após a trombada. Precisava saber a importância daquela agenda. Se deveria devolve-la, certamente haveria um número anotado. Abriu na página em que estava o marcador.

"14h30 - reunião St. Cruz
16h - piano
18h - pegar Augusto na escola
ligo ou não ligo"

A letra não era muito bonita, e as coisas vagavam pela página como se nela não houvessem linhas. Percebeu um vão entre páginas e verificou o que havia. Uma foto. Um rapaz, óculos escuros, regata branca, foto à noite. Não era o rapaz que encontrara, parecia mais forte e mais velho. nenhuma anotação na foto, nem na página. Poderia ser qualquer pessoa, o irmão, um primo, o melhor amigo, o vizinho ou até mesmo... o namorado! Loucura. O cara não tinha a menor pinta de gay... ou tinha?

Folheou mais umas duas ou três páginas e viu diversos compromissos anotados, reuniões, aulas, horários. Parecia ser algo vital. Fechou. Pensou por um instante. Abriu na página principal, um telefone celular e um residencial, sem endereço apenas o nome:

Bruno.



Hugo Zanardi

6.18.2009

SÁBADO À NOITE - Episódio 16 - Especial de aniversário: Aline.


Finalmente chegou um novo aniversário, sendo assim um novo motivo para juntar a galera do "Sábado à noite", e dessa vez era o aniversário da Aline. Como nos anteriores a comemoração seria feita na casa de Hugo. No sábado em si, Hugo, Will e Val dormiram na cas de Manu, tiraram fotos e conversaram durante à noite. E mais uma vez o "sábado à noite" foi feito no domingo, afinal Doug iria trabalhar e na segunda seria feriado e todos estavam livres.

Chegaram na cas de Hugo, Will, Manu, Val, Aline e Tico que encontraram ainda, pelo caminho, Eder e Neimar. Este último era um companheiro de teatro deles, que não era muito bem vindo por ser um tanto quanto chato. Doug chegaria após o trabalho.

Sentaram-se em volta da mesa da cozinha e iniciaram um papo, como sempre, falando sobre teatro, sobre as gafes que cometeram, enfim. Will e Manu decidiram ir até o Habib's comprar esfihas, pois estavam apenas com as bebidas e o bolo da Fran.

Estavam ao redor da mesa Eder, Neimar, Tico e Hugo. Val e Aline estavam em pé e participavam da conversa. Então chegaram Will e Manu esbaforidos e sem esfiha alguma em mãos. No mesmo instante Doug ligou para Aline para dizer que já estava a caminho. Em meio aos comentários no alto tom de voz de Will o telefonema era difícil de ouvir.

Oi?? Estamos aqui já...
busquei sim, o bolo está aqui...
oi???...
Eu, o Tico, Hugo, Will, Manu, Val, Eder e Neimar...
O QUÊ?!? Quem chamou o Neimar?? Fui eu... porquê?? Não era pra chamar??

Neste momento a cozinha estava quase que em silêncio e todos, inclusive Neimar, olhavam para Aline. Que retribuiu o olhar, ficou muito sem saber o que fazer e foi finalizar a ligação na lavanderia.

Will tentando manter o clima animado na cozinha dizia que haviam levado as esfihas deles , mas os caras estavam realmente com fome e inventaram um história fantástica, quase todos acreditavam na história quando Aline parou no batente da porta com cara de dúvida e perguntou o mais baixo que pode, e ainda sim roubando a atenção de todos:

Tico... o que as esfihas estão fazendo em cima do tanquinho???

NÃÃÃÃOOOOO... Ai, Aline assim estragou nossa história, eles estavam quase convencidos!

Estragar o que? Não podemos comer as esfihas?

Aaaahhhh

A piadinha dos dois teve fim neste momento. Trouxeram as esfihas para a cozinha e começaram a comer. Em poucos minutos Doug chegou do trabalho e cantaram o parabéns. Após comer um generoso pedaço de bolo Neimar e Eder foram embora deixando os amigos livres para fazer os comentários e rir da amiga sem noção.

Riram muito da situação, e na verdade dão risada disso até hoje. Quando alguém está muito perdido sempre dizem "O que? Quem chamou o Neimar?"... Já virou um código. E a Aline é a mestra das frases e momentos sem noção!


Dorian

6.17.2009

O pedido.

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Casa comigo?

Carlos parou. Sua mão estava a poucos centímetros da maçaneta da porta. Seus olhos trasbordaram as lágrimas que tentavam secar. Aquelas palavras lhe foram como uma facada no peito. Ele pediu um tempo para Bruno e recebera como resposta um pedido de casamento? Por sua culpa seu namorado estava deitado numa cama de hospital com o corpo seriamente ferido pedindo-o em casamento. Virou-se lentamente e olhou para a cama. Bruno ainda olhava para o lado oposto e já não chorava mais.

Ontem eu disse que tinha algo para te dizer também. Era isso! Mas você não me deixou falar. Eu lhe dei a palavra e fiquei extremamente decepcionado com o que ouvi. Mas eu precisava te dizer isso, precisava que você soubesse da minha vontade. - Bruno voltou o olhar para Carlos que ainda estava parado próximo a porta - Nessa noite, durante o acidente, eu só pensava em você. Eu não queria morrer porque eu queria que você soubesse da minha vontade. Meu corpo todo doía dentro daquele carro, mas eu via o seu sorriso em minha frente, eu precisava ficar vivo pra te dizer que quero me casar com você. Que quero você cada dia mais e mais na minha vida. Obrigado por ser o homem mais especial em minha vida...

Se olharam sem nada dizer, Carlos chorava muito, as lágrimas caíam no chão como bombas carregadas de sentimento. Sua decisão estava tomada, e cada palavra do seu amado lhe feriam o peito.

'Cal', você não precisa me responder agora. Queria apenas que você soubesse. Eu te amo mais do que posso imaginar ter amado alguém em minha vida...

Não!

... entendo...

Não quero me casar com você. Não agora. Eu te pedi um tempo e é exatamente disso que eu preciso.

Bruno voltou o olhar para o lado oposto. Não chorava mais. Refletia sobre aquele momento, aquela situação. Carlos se aproximou da cama, puxou a cadeira que estava próxima e pegou na mão de Bruno.

Bruno, eu também te amo. Fiquei com muito medo de perdê-lo essa noite. Não consigo imaginar o meu dia de amanhã sem você, sem saber que você está por aqui. Mas eu preciso ordenar minha cabeça antes de tomar qualquer decisão. Casar agora? Não é muito cedo? Depois de ter te causado toda essa dor eu não acredito que você tenha me pedido isso...

Mas eu pedi. Eu ia pedir isso antes da dor, e você não é causador de nada disso...

Sim eu sou, se eu tivesse deixado você falar, se eu tivesse conversado com você, mas eu impus a minha vontade e ficou por isso mesmo.

Da mesma forma que está sendo hoje, você não teria mudado de idéia ontem... Eu te entendo 'Cal', e como já disse, queria apenas que você soubesse da minha vontade. Se você não está de acordo, tudo bem. Já te disse o que quero, o que penso. Você é ciente disso. Fiz minha parte, minha vontade.

Se olharam por um instante. Carlos se aproximou e beijou Bruno. Um beijo lento, com cuidado e muito apaixonado, pararam e com o rosto muito próximo se olharam profundamente, as palavras saíram da boca de Carlos quentes, lentas e sinceras, acompanhadas de um olhar intenso.

Eu te amo muito... seu porra!

Final romântico esse!

Riram. Carlos acariciou Bruno, passando os dedos suavemente sobre os contornos da boca, olhos e cada centímetro do seu rosto.

Então ficamos assim 'Cal'? Vamos "dar um tempo" no nosso relacionamento para que você pense? E depois?

'Mor', eu não vou aprontar nada, não se preocupe. Só preciso de dois dias, talvez três pra organizar as coisas na minha cabeça... eu acho!

Hum... devo ficar uma semana enfiado aqui. É tempo mais que suficiente pra você arrumar outro cara.

Pára com isso meu! Não vou te trocar por ninguém. Eu te amo, porra! Você não entendeu ainda? Preciso abrir essa janela e gritar pra todo mundo ouvir??

Eu acho que seria bacana, hahaha.

Bobão! Essa semana vai ser seu castigo. Vai ficar sem sexo.

Tenho mão pra que?

Hahaha, ai 'mor', como você é bobo.

'Cal'
, você vai passar a noite aqui comigo?

Vou!

Te amo!

Também te amo!

Se olharam e sorriram. As palavras eram sinceras, os sentimentos eram sinceros. A decisão estava tomada, o tempo pedido por Carlos seria dado, mesmo contra vontade deles. Carlos teria tempo para pensar na relação deles, teria tempo para pensar no pedido que acabara de recusar e ainda ecoava em sua mente. Ficaram conversando por mais algum tempo, Bruno contou detalhes do acidente até que adormeceu. O soro fazia efeito. Talvez fosse a primeira vez que Carlos via seu namorado adormecer. Acariciou-lhe o rosto. Refletiu sobre tudo que conversaram, sobre o quanto se amavam. Adormeceu com a cabeça apoiada na cama segurando a mão de Bruno. Não iria trabalhar no dia seguinte, ficaria ali com seu amado. Queria sim um tempo, mas não queria ficar longe dele.




Hugo Zanardi

6.10.2009

Hospital.


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Carlos desceu rapidamente do táxi, nem pegou o troco da corrida. Desceu correndo em direção a entrada da UTI, o segurança na guarita não teve tempo de segurá-lo, passou o aviso pelo rádio. Quando tentou entrar correndo no prédio foi detido pela segurança da recepção. O rádio havia sido mais rápido. Discutia com o cara grande que o segurara quando Sr. Nildo surgiu:

Tudo bem segurança, ele vem comigo. Ele vai se acalmar não é Carlos? Venha, sente-se um pouco. Sente-se!

Sentou contra sua vontade, seria o melhor para acalmar a situação. Seus olhos transbordavam pânico, espanto, curiosidade, um verdadeiro mix de emoções. Sr. Nildo se aproximou trazendo um copo d'agua, antes que Carlos pudesse dizer algo foi cortado pelo sogro:

Antes de qualquer coisa, se acalme. Ele está bem! Está no quarto da UTI faz uns quinze minutos com a mãe. Respirou fundo e pensou por um instante. Foi Deus que não deixou ele partir. O Kadett foi atingido na lateral, na porta do Bruno, por uma Pick up, e foi arrastado e bateu num poste. Ele estava em alta velocidade, os dois estavam. Mas o Bruno não é de correr... enfim, algo, acho que um pedaço grande de vidro, não sei ao certo entrou no peito dele, e por uma distância muito pequena não acertou o coração, ou uma veia importante... não sei exatamente, não dei muito ouvidos para o doutor. Fizeram uma operação para retirar, está tudo bem. Nova pausa, seus olhos estavam vermelhos, e lágrimas ainda ameaçavam cair. A perna esquerda quebrou em três lugares, a clávicula direita deslocou, está com muitos ferimentos nos braços e um na cabeça... Mas ele está vivo, isso que importa. Pegue meu cartão de visitante e vá até o quarto vê-lo. Ele já falou seu nome umas duzentas vezes. Vá!

Pegou o cartão laranja do sogro e pendurou na roupa. Até este momento não havia trocado muitas palavras com ele apesar de sempre estar presente nas festas e almoços. Apesar do momento incômodo, sentiu-se feliz de ter ouvido seu sogro. Ao chegar no corredor onde ficava o quarto encontrou Dona Tânia fechando uma porta, segurando um lenço para secar as lágrimas. Ao levantar o rosto ela olhou-o, sua expressão secou:

Não o incomode, ele está dormindo. Se ele não tivesse perguntado tanto por você, prometo que você não entraria aí. Eu sei que a culpa dele estar nessa cama é sua e da sua imaturidade. Você não sabe levar um relação. Por conta de suas bobeiras quase matou meu filho... mas tudo bem, não espero que você entenda mesmo.

Deixou Carlos parado no meio do corredor. Não sabia o que fazer. As palavras da sogra ecoavam em sua cabeça. Sim, a culpa era dele. Por sua causa Bruno havia saído dirigindo como um louco, por culpa sua estava correndo. Por causa de sua decisão Bruno não viu o carro que vinha em sua direção, não estava atento. Por sua culpa! Abriu a porta lentamente, somente a cama de Bruno estava iluminada por uma luz direcionada da cama. Parou e observou. Por sua causa o cara que amava estava deitado naquela cama. A perna esquerda estava imobilizada e suspensa, o braço esquerdo, enfaixado, descansava sobre o peito, o ombro direito também estava enfaixado e o braço ao longo do corpo recebia uma agulha que lhe trazia soro e os medicamentos, havia também uma faixa na cabeça e alguns curativos no rosto. Por um instante sentiu vontade de rir, Bruno parecia um desenho animado, como Pica-Pau ou Tom & Jerry quando são atropelados, mas não tinha nenhuma graça. Ele era o causador daquilo, causador da dor, das lágrimas da mãe, das suas lágrimas. Aproximou-se da cama, tocou a mão esquerda de Bruno. Chorou. Muitas palavras vinham á sua cabeça, mas nenhuma saíra. Bruno ouviria? Talvez. Sentiu uma pressão em seus dedos. Bruno o olhava:

Eu estou tão feio assim?

Carlos olhou para Bruno que levemente sorria, como podia fazer piadinhas num momento como este? Não conseguiu se conter. Sorriu.

Assim que eu gosto, ver você sorrindo. Apesar que seus olhos ficaram lindos assim vermelhinhos. - Sua voz saía falhada, mudou drasticamente de tom. O que você está fazendo aqui?

Eu vim saber o que aconteceu. Vim pra ver como você esta. Ficar com você. Cuidar de você.

Carlos você não é médico pra cuidar de mim. E já estou ótimo. Já acabou o tempo que você me pediu?

'Mor' não é assim também...

É sim Sr. Carlos. Agora, só porque eu estou deitado nessa merda de cama você está aí todo choroso?

'Mor'...

Meu nome é Bruno!

Carlos engoliu seco, respirou fundo, o choro voltou.

Bruno não vamos brigar agora, eu fiquei preocupado, pára com isso...

É só assim que surge a preocupação não é Carlos?
Chorava. Agora você vem se preocupar comigo né?

Pára Bruno, não é nada disso...

É isso sim... Sai!

O quê? Como assim?

Sai do quarto.
Chorava ainda mais, sua voz agora estava mais forte e decidida. Você pediu um tempo, e seu tempo ainda não acabou. Agora sai.

Eu não quero mais tempo nenhum. Pára com isso Bruno.
As lágrimas escorriam pelo rosto. Eu quero você, eu te amo!

Carlos... sai.

Silêncio. Bruno virou o rosto e soltou a mão de Carlos. Ele ficou parado ao lado da cama chorando. Isso não poderia estar acontecendo. Bruno seria assim tão radical? Carlos sentiu uma dor no peito, mais lágrimas. Se amavam. Olhou mais um instante para o namorado. Respirou fundo e virou-se para sair. Parou em frente a porta, baixou a cabeça e olhou mais uma vez para a cama. Bruno olhava para o lado oposto chorando.

Carlos...?

Estou saindo.

Casa comigo?

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Hugo Zanardi

6.03.2009

Sozinho na cama.


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O motor roncou alto e o Kadett azul partiu veloz. Carlos o viu fazer a curva e rapidamente sumir de vista, ficou ali paralisado na rua sem sabe o que fazer, ou o que acabara de fazer. Entrou em casa e foi direto para seu quarto. Entrou devagar, sentou-se na cama e descansou o rosto nas mãos apoiadas na perna. Olhou para o celular sobre a cômoda. Deveria ligar? Não podia, não tinha coragem.

Carlos ligou o rádio relógio e deitou-se na cama apreciando o teto parcialmente escuro, uma luz singela que vinha da rua atravessava a janela aberta e lhe dava alguma visibilidade do teto, frio, vazio. O que faria de agora em diante? Será que havia feito o melhor?

Depois de tanto tempo juntos porque estou com essa dúvidas? Eu amo tanto ele meu Deus, será que é errado amar alguém? Ai Deus, ele ficou tão abalado, o que eu faço? Mas está tudo tão complicado... ai cacete, pior é que agora eu já falei com ele... que confusão na minha cabeça...

"... O nosso amor não vai parar de rolar, de fingir e seguir como um rio,como uma pedra que divide o rio, me diga coisas bonitas

Adoro essa música
- Cantou baixinho prestando mais atenção que o normal as palavras que compunham a letra da música.

"...o nosso amor não vai olhar para trás, desencantar nem ser tema de livro, a vida inteira eu quis um verso simples pra transformar o que eu digo..."

Muitas imagens lhe invadiram a mente. A viagem para Ubatuba, o primeiro motel que foram, os almoços juntos. Adorava quando Bruno vinha almoçar com ele, sentia-se feliz com sua presença. Sempre que saía do escritório era recebido com um lindo sorriso, muitas vezes seguido de alguma piadinha, ou brincadeira pervertida que o fazia ficar encabulado. Sempre davam um jeito de se beijar. Amava beijar Bruno. Como o beijo era gostoso...

"...rimas fáceis, calafrios, fura o dedo faz um pacto comigo, num segundo teu no meu, por um segundo mais feliz..."

... o beijo era muito bom, sentia tudo naquele beijo, seus lábios eram quentes e diziam mais que qualquer palavra, o quanto o amava, era expressivo, caloroso, envolvente vinha acompanhado de mãos fortes que percorriam seu corpo, que o tocavam de um modo nunca antes tocado, seus dedos pareciam expelir desejo, seu toque era macio, mas também era firme, ou suave, mas sempre carinhoso...

...o nosso amor não vai olhar para trás, desencantar nem ser tema de livro, a vida inteira eu quis um verso simples pra transformar o que eu digo - Cantou junto, baixinho. Pensante.

... a vida inteira eu quis um verso simples... - Pensou. Um verso simples. Quantas vezes já havia escutado um verso simple de Bruno. Três palavras apenas. Ainda sentia que algo estava distante neles, não sabia, talvez o trabalho, talvez a relação com a família de Bruno, ou pior.... talvez... Bruno. Seria possível o amor acabar? Será que esse tempo significava que o amor por Bruno estava deixando de existir em seu peito? Os olhos marejaram...

"...rimas fáceis, calafrios, fura o dedo faz um pacto comigo, num segundo teu no meu, por um segundo..." ... mais... feliz?

Uma lágrima escorreu pela face, as palavras finais lhe cortaram o coração, sentiu uma sensação estranha, como se um medo repentino o invadisse...

"... Nova Brasil FM, a moderna música brasileira. Paralamas do Sucesso 'Quase um Segundo'..."

O primeiro acorde da música fez o medo aumentar em seu peito, não entendia. Um segundo atrás não o queria, agora estava apreenssivo, sentia sua falta, continuava fitando o teto escuro que agora havia se tornado uma tela de cinema particular onde ele via todo que passaram juntos...

"... será que você ainda pensa em mim? Será que você... ainda pensa?... Ás vezes te odeio por quase um segundo, depois te amo mais..."

Sempre o amava mais e a cada segundo mais. Mas sua decisão estava tomada, precisava apenas de um tempo para saber como resolver tudo sem magoar seu amado. Embalado pela voz de Hebert Vianna adormeceu, com a roupa que estava, pensando em Bruno.

Acordou assustado com o celular tocando insistentemente. 'Bruno casa' apareceu no visor. Deveria atender? De acordo com o rádio relógio havia dormido 40 minutos. Bruno já havia chegado, deveria estar nervoso, ou iria apenas avisar que chegara bem Exitou.

Alô. Oi Bruno!

Oi Carlos, aqui é o pai do Bruno.

Sr. Nildo. Tudo bem? O que houve, porque o sr. está me ligando uma hora dessas? Está tudo bem?...

Calma Carlos... é... o Bruno... bem, ele...

O que houve sr. Nildo?

O Bruno sofreu um acidente agora à noite e está no hospital da Clínicas, na UTI. Achei que você precisava saber!



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Hugo Zanardi

5.27.2009

Perda

Bruno dirigia numa velocidade muito superior a devida naquela via. Seu coração batia acelerado, e as palvras ecoavam em seu cérebro, a música feria seu peito. Era uma dor física, uma dor espiritual. Não conseguia acreditar nas palavras que tinha acabado de ouvir.

Eles se amavam, ele o amava, sabia que era amado, e porque mudar de repente? Muitas dúvidas cruzavam sua mente.

O que aconteceu? O que fiz de errado? Porque isso está acontecendo? Existe outro alguém? O que eu faço para mudar?Ligo pra ele? Porque isso está acontecendo?

Chorava copiosamente, sua visão já se tornara embaçada. Via o sorriso à sua frente. O sorriso! Amava aquele sorriso mais que qualquer obra de arte. Soluçava. Não podia se conter.

"... O nosso amor não vai parar de rolar, de fingir e seguir como um rio..."

75Km/h

"
...como uma pedra que divide o rio, me diga coisas bonitas..."

80Km/h

Estou confuso Bruno, não sei o que está acontecendo com a gente.

90Km/h

".
..o nosso amor não vai olhar para trás, desencantar nem ser tema de livro, a vida inteira eu quis um verso simples pra transformar o que eu digo..."

110Km/h

Eu acho que a gente é... incompatível... às vezes penso isso... eu gosto de você, muito... mas.... não sei...

120Km/h

"...rimas fáceis, calafrios, fura o dedo faz um pacto comigo, num segundo teu no meu, por um segundo mais feliz..."

Um baque ensurdecedor. Uma dor lancinante atravessou seu tórax no lado esquerdo do corpo. Estava sendo arremessado para o outro lado quando uma parada repentina o fez voltar. Um poste. Bateu com a cabeça no volante. Tudo girava em sua cabeça.

"...O nosso amora não vai parar de rolar.." - não sei, estou confuso - "... como uma pedra que divide o rio.." - não sei, não sei - "... me diga coisas bonitas.."

Chorava ainda mais, seu rosto estava quente, sentia gosto de sangue na boca. Alguém chorava lá fora, perguntaram se ele estava bem. Gritos. Chorava. O sorriso. O via em sua mente. Sentiu medo. O veria novamente? Amava aquele sorriso, amava o dono do sorriso. Viu sua mãe, pai, Tito, Ton, Caio, Guto, Mama, Tuca... 'Cal'. Queria sentir o beijo de novo. Queria sentir o calor de seu corpo de novo. Sua perna doía. Se sentia fraco. A visão estava falhando, o peito doía...

"... rimas fáceis, calafrios, fura o dedo faz um pacto comigo...
...um... segundo teu... no meu... por um segundo... mais...

Entoou fracamente a canção chorando. Chorava muito, não queria estar ali. Dor. Seu peito doía, seu coração doía. Seus olhos pesaram. Sorriu. Não sabia o que aconteceria agora. Estava muito triste, mas queria estar sorrindo quando Carlos o visse.


Hugo Zanardi

5.20.2009

Um ano depois.

Após um dia de muita excitação, ajustes, ligações e organização Bruno parou seu Kadett azul em frente ao escritório onde seu querido Carlos trabalhava.

18 horas. Carlos despediu-se de todos, pegou sua mochila, já estava preparado para sair, só não sabia para onde iriam. Saiu do escritório e lá estava o
Kadett azul, muito bonito e que trazia algo bem mais bonito em seu interior.

Ele apareceu na porta do prédio, o sol ainda estava no céu daquele dia, seu cabelos negros brilharam, ao ver o carro sorriu. Como seu sorriso é lindo! O sorriso. Estava tão lindo quanto sempre em seus trajes sociais de 'mocinho correto'. Entrou no carro. Bruno rapidamente lhe roubou um beijo. Carlos ficava muito desconcertado com isso, tinha receio que alguém visse a cena. Bruno gostava de vê-lo assim perdido. Deu a partida e seguiram rumo marginais para por fim pegar a Raposo Tavares. Conversavam sobre o dia e Carlos não se deu ao trabalho de perguntar onde estavam indo.

O
Kadett entrou em um motel. Ao apresentar os documentos a recepcionista disse:

Ah, sr. Bruno, só um minuto!

Como assim sr. Bruno? De onde ela já te conhece??

Hahaha... Ai 'Cal' como você é bobo!!

A recepcionista trouxe as chaves e disse estar tudo certo. Entraram na suíte 35. Desceram do carro, Bruno esperou Carlos contornar o carro. Beijou-o. Pegou Carlos no colo. Subiu o pequeno lance de escadas com ele no colo e abriu a porta.

Um cheiro de rosas vermelhas invadiu o ar. Carlos visualizou o quarto que Bruno reservara e ficou extasiado. O quarto era muito grande e estava decorado com muitas pétalas de rosas vermelhas por todo o chão e espalhadas pela cama, que tinha um véu leve cobrindo o seu entorno, dois incensos serpenteavam finas fumaças perfumadas. No centro da cama havia uma bandeja com um balde com gelo e um champagne, duas taças, uma pequena caixa de veludo, um cartão e uma foto dois dois em uma bela moldura de mesa. A banheira também estava cheia e pétalas boiavam sobre a água. Tudo ali indicava o motivo da recepcionista conhecer tão bem Bruno. Ela deve ter feito parte de todo aquele plano. Os olhos de Carlos se encheram d'agua.

Bruno levantou o véu da cama e prendeu-o na lateral, sentou-se na cama e fez sinal para que Carlos se juntasse a ele. Abriu o champagne, serviu os dois copos, entregou um a Carlos que já sentava ao lado da bandeja ainda surpreso com tudo. Olharam-se profundamente nos olhos.

Obrigado 'Cal'!

Para de graça né 'mor', eu que tenho que agradecer. Esta tudo incrível aqui, nossa... eu nem sei...

Obrigado por me aguentar durante esse um ano que estamos juntos. Ao nosso futuro!

Ao nosso amor porque nós somos o máximo!

Brindaram e beberam. Se beijaram. O beijo! Dizia tudo, expressava num gesto o que cada palavra poderia deixar em dúvida.

Bruno entregou o cartão a Carlos, enquanto lia pegou um outro pacote e pôs sobre a cama.

"Sempre que o vejo, meu coração para de funcionar por alguns segundos, você é muito importante pra mim.
Meus olhos brilham quando o vejo, e sinto um brilho em seu olhar.
O toque do seu lábio é intenso e o seu beijo é mágico e apaixonante.
Acordo pensando em você, e durmo pensando em você, meu coração aperta quando ficamos longe. Ao pensar em você eu tenho certeza que você é um presente divino e que te amo!
Seu eterno Bruno."

As simples palavras do cartão deixaram Carlos muito emocionado. Sobre a cama ainda havia um pacote com uma camiseta, um DVD e ingressos para o show da cantora preferida de Carlos, Luciana Mello. Ao abrir a caixa de veludo deparou-se com um par de alianças de prata. Uma lágrima escorreu. Ficou completamente sem reação. Bruno pegou um delas, segurou a mão de Carlos e colocou a aliança em seu dedo. Carlos fez o mesmo. Beijaram-se. Carlos entregou para Bruno seu presente. Uma camiseta super bonita de grife e um DVD. Não imaginava que seu 'mor' faria tudo aquilo, mas não se importavam o amor envolvido ali era o mais forte.

Beijaram-se, se amaram, entregaram-se um ao outro, aquela noite era especial, estavam a um ano juntos, oficializaram mais ainda a relação, fizeram uma aliança, se aliaram, se amavam. Cada beijo foi intenso naquela noite, cada toque, cada respiração era intensa, os
sussurros no ouvido vinham repletos de palavras de carinho, os beijos no pescoço incendiavam a cama, as mãos percorrendo os corpos, as coxas, barriga, braços, o calor dos corpos em contato, o suor que escorria sutilmente, as mãos passando pelos cabelos, acariciando o rosto, buscando as costas do parceiro, o desejo de ter o outro junto, cada olhar. Amor! Fizeram de uma forma diferente, se amavam sim, mas nesse noite tudo parecia mais especial. Um ano juntos, tantas situações, tantos casos, tantos causos.

Dormiram abraçados, Carlos deitado no peito de Bruno, cansados, satisfeitos, felizes, realizados como era bom estarem juntos. Aquele momento duraria até a tarde do dia seguinte pelo acordo que Bruno fizera com o motel. Poderia durar eternamente. Era isso que Bruno queria, dormir todas as noites com Carlos em seu peito, sentir seu calor todas as noites, assim Carlos queria ficar sempre, protegido, amado. Amados!



Hugo Zanardi

5.13.2009

Na Balada

Bruno foi convidado para comemorar o aniversário de uma amigo seu na balada em São Paulo. Comunicou Carlos e disse que gostaria que fossem juntos, afinal os amigos de Bruno gostavam muito dele.

Carlos adora ir pra balada e aceitou prontamente. Só tinham saído juntos uma vez pra dançar e ficaram pouco tempo pois a balada estava chata e a casa de Bruno estava vazia dando margem a coisas mais interessantes para fazer.

Encontraram os amigos de Bruno na Avenida Paulista. Caio, Guto, Ton e Tito. Foram para a Tunnel. Carlos gostava bastante dessa casa, já tinha ido várias vezes.

Chegaram, passaram pelo bar e pegaram uma caipirinha cada um. Foram para pista. Bruno e Carlos sempre juntos. Dançaram, se beijaram e riram com os comentários dos amigos. Carlos viu muitos carinhas que o olhavam com desejo, mas ele desejava só aquele que estava em sua frente. Bruno nem olhava para o lado. Às vezes os dois comentavam entre si sobre um cara bonito que passava, ou que estava dançando.

Ele é bonito né?! Porque eu, eu sou 'bonitinho', como diz meu querido namorado!!

Ai como você é besta Bruno. HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA

Decidiram ir para a outra pista, onde toca Trash e afins. Essa pista tem o teto mais baixo e bem menos luz. Carlos já estava bem alegre devido as bebidas. Devia estar na terceira caipirinha já.
Caio e Guto estavam com eles, Ton e Tito deviam estar se pegando em algum canto. Bruno era o único que não estava bêbado. Dançavam, dançavam. Carlos o olhava profundamente. Como ele dançava bem, como se mexia de forma interessante, tinha um gingado diferente, se aproximou de seu corpo, a mão de Bruno o envolveu pela cintura, seus quadris se encontraram e ele foi conduzido. Aquele corpo, aquele calor o deixava excitado. O beijo! Como gostava de sentir aqueles lábios tocando os seus. Carlos estava encostado na parede e se entregava a seu amante.

Bruno sentiu a excitação de Carlos, literalmente. Abriu o botão da calça dele. A pista estava cheia, dançavam juntos, grudados. Levantou a camiseta dele e acariciou sua barriga, Carlos ficava em extasê com aquelas mãos em seu corpo. Bruno foi dançando, beijando seu namorado por todo o corpo, boca, pescoço, ombros, peito...

Aquela mão em sua barriga o fazia delirar, o que ele tinha em seus dedos que era tão gostoso? Foi beijado, na boca, pescoço, e os beijos foram se espalhando pelo corpo, sentiu um calor invadindo seu corpo, praticamente subiu pela parede, só não foi mais alto porque o teto não permitiu, seu namorado era louco, queria que ele parasse, alguém poderia ver, mas queria que ele continuasse, pois estava muito bom, a sensação beirando o perigo de serem expulsos, a sensação daquela boca gostosa... acabou. Bruno surgiu em sua frente com um sorriso de meio lábio e um olhar extremamente safado fitando-o. Deu-lhe um selinho e feixou sua calça.

Bruno você é louco!!

Sou louco por você meu gato. Isso foi só uma amostra do que virá quando a gente estiver em casa.

Nossa Bruno... é... nossa...

Não fala nada, sei que você gostou.

Beijaram-se e foram para a outra pista procurar os outros amigos. Logo mais iriam embora. E ao chegar em casa os dois chegariam ao ponto final do que Bruno havia começado ali na pista. Carlos sabia que seu namorado era meio maluco, adorou a nova aventurazinha. Se soubesse disso teria ido pra balada mais vezes. Enquanto esperavam os amigos os dois, encostados no balcão do bar se olhavam. Carlos sorriu. O sorriso! Bruno ama demais esse sorriso. Cada momento que vê esse sorriso se sente mais feliz. Ama muito Carlos. Dois homens que se amam, em qualquer momento, em qualquer situação, o amor deles irá atravessar o tempo, pois é real e verdadeiro.



Hugo Zanardi

5.06.2009

A primeira viagem - parte2





Carlos acordou sentindo o calor de Bruno invadindo seu corpo aos poucos, aquela boca era muito boa. Fizeram amor. Gostoso, intenso, apaixonado. Tomaram banho juntos. Vestiram suas sungas e foram para a praia. Apesar de ser fim de semana ela estava calma, não era temporada. Escolheram uma mesa em um quiosque, comeram camarãozinho que Carlos tanto queria e batatas fritas que Bruno tanto gostava.

Conversaram sobre tudo. Falavam sobre planos para o futuro, sobre os trabalhos que estavam aparecendo para Bruno, sobre as coisas que aconteciam no escritório onde Carlos trabalhava, sobre histórias dos amigos. Sempre tinham assunto.

Está bem quente né 'Cal'?

Sim sim... qual sua proposta?

O último que chegar é a mulher do padre, hahahaha

Ei, não vale!!!

Os dois correram em direção ao mar, Bruno à frente pois tinha trapaceado, não foram direto, ainda brincaram, desviaram, Carlos tentava pegar Bruno. Riam. Bruno quase caiu. Correram e mergulharam. Jogaram água um no outro. Eram duas crianças, duas crianças que se beijavam.

Sentaram na areia e fizeram um castelo, conversavam muito. Dois homens praticamente, fazendo castelo de areia. Carlos achou aquilo muito engraçado, há anos não fazia um daqueles. Bruno, com o dedão do pé fez um grande coração na areia em torno do castelo. Aquele era o castelo dos dois, onde viveram juntos envoltos por amor. Sentaram em frente ao castelo e apreciaram o mar. A tarde já vinha caindo, a noite estava chegando. Voltaram para casa. Tia Carla havia feito um jantar para eles. Jantaram e foram passear no centro de Ubatuba. Na baixa temporada a cidade é meio parada então voltaram cedo para casa.

Foram para a praia mais uma vez a noite. Bruno conhecia bem aquela área. Caminharam até a ponta da praia e se embrenharam nas pedras com cuidado para não cair. Encontraram um lugar sossegado e afastado. Deitaram-se na pedra, apreciavam o céu. Beijaram-se ao som das ondas batendo na pedra, se amaram ali mesmo, sob aquele céu estrelado cada beijo era mais intenso. O cenário era perfeito, o sentimento era perfeito. Se amaram, chegaram juntos ao ápice.

Voltaram pra casa abraçados. Se amavam. Dormiram quando o sol despontava. Abraçados, entrelaçados, Carlos no peito de Bruno, protegido, amado.

Acordaram tarde no dia seguinte, almoçaram na Tia e se prepararam para voltar. Antes passearam mais um pouco pela praia. Carlos adora praia. Lembraram da noite anterior, olhavam-se nos olhos, beijaram-se em frente ao mar, se abraçaram e apreciaram ele. Se despediram do mar. Se despediram de Tia Carla. Entraram no carro e seguiram rumo a capital. O fim de semana havia sido especial.

'Cal'!

Oi 'mor'?!

Te amo!

Sério?

Muito sério. Você é quem eu quero pra minha vida.

Mas você já tem. Eu também te amo!

Conversaram até chegar em casa. 11 meses especiais, que durariam por muito mais tempo. Um amor de verdade resiste ao tempo. E eles se amam.



Hugo Zanardi