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11.01.2010

#CoisasDoInterior - Parada Gay

Post muito atrasado... antes tarde do que nunca!



Sim, eu fui em uma parada gay aqui no interior.
Dia 08 de agosto rolou a 2ª Parada Gay de São João da Boa Vista e eu, pelo sim pelo não, resolvi comparecer pra "qualquié" das gays interioranas.
 Vale lembra que a vida gay no interior é algo muito escondido, ferve na internet, mas na noite e nas ruas, quase nada. E nosso país tem a maior parada gay do mundo!

Inicialmente fiz a 'linha desentendido' na rodoviária e peguei um táxi. A taxista já disse: "Você vai lá na festa gay?". Pensei: "Nossa, estou dando tão na cara assim?", consenti e fui para a concentração próximo a uma estação de trem desativada.
Havia um carro de som com umas 20 pessoas em cima e cerca de 200 pessoas na rua.

O cortejo seguiu pelas ruas da cidade sem muitas extravagâncias, sem beijação na rua, sem drags loucas, sem pessoas semi nuas, e por onde passou movimentou muitas famílias, que entre alguns olhares de reprovação, sorriram e acenaram, demonstrando que um pouco do ser humano ainda existe, e espero que busquem sem compreensivos.

O carro de som parou num local afastado do centro, onde rolou um pouco de música, foi armada uma barraca com comidas e bebidas e contou com a presença de muitas famílias, que dançaram e apreciaram a festa.
O saldo de pessoas bonitas foi muito baixo. Mas valeu participar e conhecer uma galerinha do interior.

Me ficou a impressão, que aqui, a parada desempenha muito melhor o seu papel de conscientizar a sociedade em busca da igualdade e demais direitos, do que a bagunça que é nossa tão grande e desfocada Parada na Paulista.
Mas acredito que um dia todo ser humano saberá respeitar as diferenças e o próximo, e, assim as paradas por aí afora, se tornem festas comemorativas e de confraternização, sem a necessidade de uma luta social e/ou política.


Hugo Zanardi

7.16.2009

SÁBADO À NOITE - Episódio 20 - Os "Descolados".


Após o aniversário de Will e Amanda, uma pequena parte da galera se encontrou uma vez ou outra para por as fofocas em dia, ir numa balada, ou barzinho, coisas simples. Porém os pais de Hugo viajaram e a Parada Gay estava chegando.
Hugo havia conhecido uma turma de amigos que se intitulavam "Descolados", faziam parte dessa turma Caio, Samuel, Paulo, Bruno, Leila, Vitor e mais duas ou três pessoas. Conhecia-os através de Caio pois trabalharam juntos. Caio dizia que seus amigos eram muito mais legais, bebiam mais e todo tipo de provocação de amigos, coisa normal de adolescentes, a grande maioria dos "Descolados" eram heteros (ou pseudoheteros). Então Hugo decidiu marcar um Sábado à Noite e juntar as duas turmas. "Sábado à Noite X Descolados". Fez uma aposta com Caio. Cada um tomaria uma garrafa de vodka, se Caio perdesse deveria beijar Hugo, se este perdesse Caio daria a sentença que quisesse. Hugo tinha certeza que ganharia.

O sábado à noite começou apenas com a galera de sempre e um convidado, Roger que viera de Joinville para a Parada Gay paulista, com ele estavam Hugo, Will, Amanda, Karina, Junior, Val, Manu, Doug, Naná (Paulo) e Michael. Todos na casa de Hugo. Fizeram a bebida título do encontro e brindaram. Beberam quase dois litros do néctar criado por eles, algumas cervejas, e um vinho, conversaram muito até que depois de muito tempo chegaram os "Descolados", que também já haviam bebido um pouco.

O primeiro instante foi de apresentações, Hugo e Caio fizeram as honras aos demais apresentando todo o grupo entre si. 17 pessoas se conhecendo e conversando. Como a idéia era interagir os grupos fizeram um novo brinde, dando a oportunidade aos "Descolados" de conhecerem a bebida "Sábado à Noite".

A partir daí virou uma grande reunião, Junior, anarquista, conversava com Vitor, estudante de história, sobre o capitalismo, o socialismo e a sociedade em geral, gerando uma discussão calorosa e pouco convidativa aos demais.
Na TV passavam episódios de algum anime, logo trocado por um DVD contendo muitos clipes, que disputavam lugar com o rádio tocando Marisa Monte.
No quarto alguns se conheciam e falavam para Roger sobre a vida em São Paulo e questionavam sobre o Sul.
Na cozinha Caio e Hugo iniciaram sua disputa, cada qual com uma garrafa de vodka, conversando e bebendo, bebendo e conversando.
Val já estava meio alegre e dançava na sala, ora com Will, ora com Doug.
Michael intervinha em todas as conversas falando incessantemente e fumando tanto quanto falava.
Samuel pediu a Hugo uma indicação de um local reservado e sumiu por algum tempo.
Naná conversava com Roger e com os novos conhecidos, entre eles o xará Paulo. Havia um possível interesse de ambas partes.
No quarto alguns colchões cobriam o chão e alojavam as pessoas. Num certo momento entraram 11 no quarto, apagaram as luzes e... não sei bem o que aconteceu, mas durou cerca de 5 minutos apenas. Do lado de fora estavam Karina, Junior, Vitor, Leila, Amanda e Val!!!

Caio estava bem alegre, bêbado, quase passando mal. Ainda restava pouco menos da metade de sua garrafa. Hugo havia secado sua vodka mais 2 latas de cerveja e ainda estava de pé, rindo e conversando. Tomou a garrafa de Caio e deu um trago longo. Aposta perdida, deveria pagar por sua língua. Pagar por duvidar. Pagar a aposta que nunca deveria ter aceitado. Junior, Karina e Amanda já haviam ido embora. 9 se alojaram no quarto como puderam e na sala ficaram Hugo, Caio, Val, Will e Vitor.

O namoro entre Hugo e Will era aberto, então Caio iria pagar a perda da aposta. E pagou! Beijou Hugo, e não foi um simples selinho, foi um super beijo longo, ainda levou de brinde um beijo de Will e de Val também. Quase no amanhecer um vulto atravessou a sala saindo do quarto como um raio em direção ao banheiro. Quem era e o que havia acontecido? Nem as paredes revelam. Mistééério!

Antes do sol nascer Leila, Paulo, Samuel, Vitor, Caio deixaram a festa agradecendo pela noite agradável e pela cia de tantos amigos legais. No dia seguinte estariam todos na avenida Paulista sabendo que, seja Sábado à Noite ou seja Descolados o que realmente importa é ter amigos de verdade.


Dorian

6.15.2009

E agora que já se foi a Parada?


Foto: Rodrigo Coca/ Foto Arena/ AE


Amigo querido, a primeira coisa que tenho pra dizer é: "Karaio, como você faz falta!".
Vamos lá, vou te contar sobre o feriado gay de sampa, mas nem crie expectativas.

A quinta feira começou bem, fui para o treino no circo no Tendal da Lapa, foi um treino muito bom, fiquei quase 3 horas seguidas em cima do arame, nossa, como é bom treinar! Depois parti de lá, por volta de 14 horas e fui para o Vale do Anhangabaú para ver a Feira da Diversidade. Essa mudança da feira foi bem positiva. Cheguei lá, comi uma pizza, e vi uma apresentação de um pessoal do teatro do oprimido, bacana. Encontrei algumas pessoas conhecidas, entre elas o ex ex, Will... tá né, nem tudo é perfeito!

Mais tarde chegou o Paulo (Naná) com o Rafael, em seguida encontrei o Gui meu novo rolo, e logo chegou o Michael
. Sentei com o Gui nas escadinhas do vale depois de comprar uma camiseta amarela, e os meninos foram andar, beber e dar um 'oi' pra Tati. Eu e o Gui conversamos, beijamos, rimos e tals, foi bem legal. O @zecabral ligou para irmos na casa dele ver filme. O Gui não quis me acompanhar, nem Naná e Rafael.

Detalhe: o Michael beijou um emozinho com cara de 12 anos, feio. (não se deixe enganar, ele vai dizer o contrário) E fiquei sabendo depois, que a Naná beijou 2 caras e falou inglês com um francês em um bar na Augusta. Você sabe bem como é o inglês master arcaico da nossa amiga afro descendente não é?

Fomos eu e Michael. Chegando lá comemos pizza e, conversa vai conversa vem, decidimos ir pra jogação, afinal sexta era dia dos namorados e nós três estamos solteiros, o Gui não quis me acompanhar "perdeu plaboy". Fomos pra noite, não saímos casados, mas nos divertimos muito, na verdade eu não beijei ninguém. Cheguei em casa às 6 horas da manhã, o sol já estava gritando "vai dormir vampiro!".

Acordei as 13 horas de sexta e sentei em frente ao notebook, li, escrevi, e discuti com o Gui por ter saído na noite anterior, ele poderia ter passado a noite comigo, não quis. Azar! Ia ao teatro mas desisti, está fazendo muito frio nessa cidade. Só por Deus! Dormi na minha cama sozinho mesmo.

No sábado fui para o playcenter curtir o Gay Day com o Ruan, Michael e Naná, que chegou atrasada 1 hora no ponto onde marcamos. O Gay Day foi bem bacana, porém, não sei de onde tem saído tanta gente feia em sampa, na feirinha também estava difícil de ver alguém interessante. Mas o Playcenter foi bem legal, brincamos nessa ordem:
Boomerangue,
Cataclisma,
Evolution,
Pausa para o lanche, seguida de fervo na área livre onde tinha um Dj da Trash 80's tocando,
Windstorm,
Turbo Drop, aqui conhecemos umas gays do ABC, um deles queria beijar o Michael, mas não rolou, ficamos horas na fila,
Looping Star,
Looping Star,
Looping Star, é sim, fomos três vezes e na última causamos com a SPO pra deixar a gente ir de novo, a gente sempre causa. Básico!
Depois fomos dançar, e dançar. Ninguém beijou. Saímos de lá secos, nem uma gota de álcool em nossas veias. Decidimos dar uma passadinha no Autorama, afinal a grana está bem curta. Lá encontramos umas gays do ABC, Ariel, Rafinha e mais dois caras. Conversamos, bebemos e viemos embora. O domingo prometia, afinal chegara a maior parada gay do mundo.

Acordei cedo tomei meu bom banho, arrumei o cabelo, vesti minha camisetinha nova comprada na feirinha, roubei um vinho da geladeira e rumei. Pegar a Naná às 9h30. Chegou atrasada de novo. Marcamos às 11 horas com o Michael no mêtro Consolação. Deixei o carro na Augusta e subimos conversando. Michael chegou 11h20.

A parada começou bem. Mas eu nunca vi tanta gente feia e estranha junta num lugar só. Como queríamos que você estivesse aqui. A Naná foi a primeira a beijar, um boy na fila do banheiro, que eu chamei de "interesseiro" pois eles beijaram e o cara pediu um gole do vinho.Por volta de 13h30 eu vi um cara vomitando e caindo.
Oi Brasil??? Em apenas uma hora e meia o cara conseguiu beber o suficiente pra passar mal, ou será que começou às 10 horas da matina?
Fiquei muito revoltado com essa parada. Da mesma forma que fiquei na Virada Cultural. Tudo é motivo para se beber até cair pelas tabelas nessa país??? Ok, ok, mais uma vez eu admito que bebi, e mais uma vez eu digo que sei exatamente tudo que fiz e que estava completamente seguro sobre minhas pernas. Me irritou muito também os heteros bagunceiros... ok, ok os gays fervem sim, mas eu vi muito hetero arrumando briga com lésbicas ou com outros heteros.

OIIII BRASIL????? Li no blog do carioca sobre a revolta dele com a parada e concordo em partes, acho que o problema central é muito mais o público sem educação, sem escrúpulos, que gosta de tirar proveito de tudo e que não sabe se comportar, pra mim é isso que transformou esta parada, em um evento apenas comercial para a cidade. Para quê ter a MAIOR parada gay do mundo se ela está longe, muito longe de ser a MELHOR???

Mas ainda sim nos divertimos. Encontramos o JP, que trabalhou conosco na Disney e o Rômulo. Lembra do Rômulo?
Dançamos um pouco, mas os trios parecem que desceram a Consolação na banguela, nessa matéria diz que não houve nada de grave, porém nesta outra do G1 descobre-se que o buraco foi mais embaixo. E o pior amigo, eu e os meninos escutamos essa bomba, e estávamos muito perto. Medo!

Voltando a diversão... paramos na esquina na Consolação com a Angélica, na encruzilhada onde a coruja pia. E piou! Eu já tinha dado um beijo, bem sem-vergonha no Felipe, o leonino que beijei uns 6 meses atrás, ele me perguntou porque não nos vemos mais no msn. Mal ele sabe que tomou um 'delete' na cara. E passei o resto da noite apenas com esse beijo.
Já os meninos rodaram a banca, eu ajudo muito né, faço a linha comunicativo, então a galera vinha descendo e eu ia jogando eles pra cima dos meninos. Michael beijou 25, acho, depois do 20 na verdade paramos de contar, o Rômulo 5 que eu vi, a Naná 9 e o JP 2, e toda vez que um deles beijava a gente gritava, fazia festa e começava a dizer um número qualquer:

"Olha o Michael, 1.476 hein!! Uhuu!"

"Olha a Naná, 1.785!!!"

Num certo momento o Rômulo gritou isso pra Naná que estava beijando um boyzinho lindo. Paulo ficou muito revoltado.

"Ops, desculpe Paulo, chamar de Naná é força do hábito, saiu sem querer..."

Esses momentos foram muito engraçados. Ah, fizemos um boy mostrar o p... também, como no ano passado. Ele estava numa super pegação com outro cara, daí fizemos um rodinha, começamos a ferver com ele e fizemos ele por 'o menino' pra fora. Nisso, hora de evacuar. A gente causa um pouco. Desculpe!

Liguei pro Gui e marcamos de nos encontrar na Igreja. Rolou um desencontro, troca errada de informações e não nos vimos. Descemos para a Vieira de Carvalho, nos perdemos do Rômulo. Andamos um pouco por ali. O Michael e o Paulo beijaram de novo. O Paulo achou um cara super bonito, curitibano que deu umas pegadas safadíssimas nele no meio da rua. Um pouco antes disso rolou o bafão da bomba, mas estávamos na ponta contrária da rua, ainda bem.

Uns caras deram em cima de mim e tomaram 'não' na cara.

Um frio intenso em sampa, resolvemos que era hora de dar tchau. A parada teve muitas coisas boas sim. Mas senti muito a sua falta. Demais! E posso confessar, de uma outra pessoa também.

Cheguei em casa e tive uma leve discussão com o Gui por conta do nosso desencontro, mas já está tudo bem. E agora a vida continua normalmente, ao menos pra mim que não carrego sequelas deste evento. Saudade demais amigo. Saudades é a palavra que vem me acompanhando nos últimos tempos, e essa parada só me fez sentir mais saudades ainda. Saudades!!!
Beijos e até janeiro.
Te amo amigo.


Hugo Zanardi